O lucro da Boeing no quarto trimestre de 2025 consolidou a reversão de um período marcado por perdas e pressão operacional. Nesta terça-feira (27/01), a fabricante americana reportou ganho líquido de US$ 8,22 bilhões entre outubro e dezembro, após prejuízo de US$ 3,86 bilhões no mesmo intervalo do ano anterior.
Além disso, a receita trimestral da empresa somou US$ 23,9 bilhões, crescimento de 57% na base anual. O desempenho reflete tanto a retomada da atividade industrial quanto decisões estratégicas de gestão de ativos, em um contexto de reorganização interna iniciado ao longo de 2025.
Lucro da Boeing no 4T25 e a recomposição financeira
O resultado do período foi sustentado, em parte, pela entrada de US$ 9,6 bilhões com a venda de participação na divisão digital. Embora a companhia reconheça o peso dessa operação no caixa, ela associa o avanço do balanço também à melhora gradual da eficiência operacional e do ritmo produtivo.
Segundo Kelly Ortberg, diretor-presidente da Boeing, a empresa encerrou 2025 com bases operacionais mais sólidas para o ciclo seguinte. A leitura da administração é que ajustes industriais e financeiros feitos ao longo do ano ampliaram a previsibilidade do negócio. Embora, no geral, o cenário ainda exija cautela.
O lucro da Boeing no quarto trimestre aparece, assim, como resultado de uma combinação entre desempenho recorrente e eventos pontuais. Exigindo, portanto, atenção do mercado na avaliação da sustentabilidade dos números.
Resultados financeiros e carteira de pedidos
Ao fim de 2025, a Boeing acumulava uma carteira de pedidos de US$ 682 bilhões, incluindo cerca de 6,1 mil aeronaves comerciais. O volume assegura visibilidade relevante para os próximos anos. Em especial, diante da expectativa de aumento nas entregas após o envio de aproximadamente 600 aviões no ano passado.
No consolidado anual, a companhia apurou lucro líquido de US$ 2,23 bilhões, revertendo perdas de US$ 11,8 bilhões registradas em 2024. A receita totalizou US$ 89,4 bilhões entre janeiro e dezembro, avanço de 34% na comparação anual.
Lucro da Boeing e o papel da divisão de defesa
A unidade de defesa também contribuiu para o desempenho do grupo. No quarto trimestre, o faturamento do segmento avançou 37%, apoiado pelo aumento de entregas e por ganhos de eficiência operacional.
O backlog da área atingiu US$ 85 bilhões, nível recorde, ampliando o peso da divisão na estabilidade do fluxo de receitas. Para analistas, esse segmento funciona como amortecedor em momentos de volatilidade no mercado de aviação comercial.
O lucro da Boeing, nesse contexto, passa a ser interpretado não apenas como uma recuperação contábil, mas como reflexo de uma estratégia que busca diluir riscos entre diferentes frentes de negócio, em um setor ainda sensível a gargalos produtivos e ciclos econômicos.











