O preço da gasolina entrou no radar do mercado nesta terça-feira (27/01) após a Petrobras anunciar redução de 5,2% no valor vendido às distribuidoras. O ajuste, de R$ 0,14 por litro, ocorre em um ambiente de petróleo mais barato e câmbio favorável, fatores que sustentam revisões pontuais para o IPCA no curto prazo, segundo analistas.
Embora o corte já fosse amplamente aguardado, a decisão reacende a discussão sobre o quanto essa queda chega ao consumidor final. Ainda assim, economistas avaliam que o novo preço da gasolina pode produzir alívio marginal na inflação de fevereiro e março, mesmo com repasses incompletos ao longo da cadeia.
Impacto inicial no IPCA no combustível
O recuo anunciado pela estatal reduz o preço médio da gasolina A para R$ 2,57 por litro nas refinarias. De acordo com estimativas de mercado, o efeito direto pode representar queda aproximada de 0,08% no IPCA, considerando o peso do combustível no índice.
No entanto, o impacto tende a ser limitado. Tributos estaduais, margens de distribuição, custos logísticos e a mistura obrigatória com etanol diluem o ajuste antes de chegar às bombas. Por isso, analistas destacam que o preço da gasolina influencia a inflação, mas não altera o quadro de forma estrutural.
Além disso, o repasse parcial observado em episódios anteriores reforça a cautela nas projeções. Ainda assim, há consenso de que o corte abre espaço para revisões baixistas pontuais nos núcleos mais sensíveis ao transporte.
Gasolina nas refinarias, câmbio e petróleo
O contexto externo ajudou a decisão. O barril do petróleo acumula queda próxima de 20% em 2025, enquanto o real se valorizou frente ao dólar nas últimas semanas. Esse cenário reduziu a defasagem entre os preços internos e o produto importado, que havia superado R$ 0,40 por litro em janeiro.
Após o ajuste, os valores domésticos seguem cerca de 5% acima da paridade internacional. Ainda assim, o diferencial menor diminui o incentivo à importação e reforça o alinhamento da política comercial da Petrobras aos fundamentos de mercado.
Outro ponto relevante envolve o etanol. Com a safra de cana-de-açúcar prevista para começar em abril, a expectativa é de maior oferta de álcool, o que preserva sua competitividade frente à gasolina no consumo final.
Preço da gasolina e leitura para juros
No campo macroeconômico, o corte não altera a expectativa para a decisão imediata do Copom. A taxa básica deve permanecer estável nesta reunião. Mesmo assim, o novo preço da gasolina pode influenciar o tom do comunicado, ao reduzir pressões inflacionárias de curto prazo.
Economistas avaliam que, se o ambiente externo permanecer estável, o ajuste contribui para um discurso mais flexível, abrindo espaço para o início da flexibilização monetária em março de 2026. O cenário, contudo, segue condicionado à trajetória do petróleo e ao câmbio.
Se o barril permanecer próximo de US$ 65, analistas não descartam novos ajustes futuros, o que mantém o preço da gasolina como variável sensível na dinâmica inflacionária e nas expectativas de juros.











