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Em um ambiente de juros elevados, crédito restrito e profundas mudanças no sistema tributário, a pressão sobre o caixa nunca foi tão intensa. Nesse contexto, créditos tributários não recuperados deixam de ser apenas um tema técnico. Eles passam a representar uma decisão estratégica, capaz de transformar ineficiências fiscais invisíveis em liquidez real e vantagem competitiva.
Além disso, com 63% dos CFOs apontando o alto custo do financiamento como um dos principais fatores negativos para os resultados, poucas empresas percebem que o maior problema também representa uma oportunidade interna. Parte relevante dessa pressão está dentro da própria operação. Em um cenário de juros elevados, transição tributária complexa e margens pressionadas, gerar caixa interno deixou de ser alternativa. Hoje, trata-se de uma estratégia de sobrevivência.
Créditos Tributários Não Recuperados como estratégia de caixa interno
Entre 2026 e 2032, as empresas conviverão com dois sistemas tributários simultâneos. Ao mesmo tempo, novos campos obrigatórios passarão a integrar as notas fiscais. Como consequência, o risco operacional tende a aumentar. Estimativas indicam que até 95% das empresas pagam tributos a maior. Isso ocorre por erros de enquadramento, exclusões de base não aplicadas ou teses consolidadas ignoradas. Nesse cenário, o problema não está apenas no pagamento indevido, mas também no tempo dos créditos tributários não recuperados.
O prazo prescricional de cinco anos segue correndo. Quando o crédito prescreve, o valor deixa de existir do ponto de vista econômico. Portanto, cada período não revisado representa dinheiro perdido. Esses recursos poderiam reduzir endividamento, financiar operações ou sustentar investimentos estratégicos.
Por outro lado, empresas que crescem em ambientes adversos não dependem exclusivamente de capital externo. Ao recuperar créditos tributários, elas reduzem a necessidade de financiamento bancário. Além disso, protegem margens e financiam o crescimento com recursos próprios. Dessa forma, criam vantagem competitiva justamente quando o mercado reage mais lentamente.
Por fim, em um cenário de crédito caro e reforma tributária em curso, agir agora é determinante. Essa postura separa empresas que atravessarão 2026 com caixa e previsibilidade daquelas que apenas tentarão sobreviver. Tratar créditos tributários não recuperados como prioridade estratégica deixou de ser opção. Hoje, é uma decisão de gestão financeira responsável.
Por Rubens Tavares, CEO da BMS Consultoria Tributária
**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal.











