Mercado de robotáxis: Uber investe em startup para escalar frota de veículos autônomos

O mercado de robotáxis avança com o investimento da Uber em uma startup canadense, reforçando a estratégia de parcerias para escalar frotas autônomas e competir em um setor cada vez mais disputado. Continue lendo e saiba mais.
Mercado de robotáxis avança com investimento da Uber em startup
Uber amplia atuação no mercado de robotáxis por meio de parcerias com empresas de tecnologia autônoma. (Foto: Reprodução)

O mercado de robotáxis ganhou novo vetor de expansão, após a Uber anunciar, nesta quarta-feira (28/01), um investimento de até US$ 500 milhões na startup canadense Waabi, especializada no desenvolvimento de sistemas de direção autônoma para veículos comerciais e de passageiros. A operação, portanto, reforça a estratégia da Uber de ampliar sua presença em veículos autônomos por meio de parcerias, em vez de desenvolver tecnologia própria.

Do total previsto, US$ 250 milhões entram imediatamente na rodada de financiamento da Waabi, que levantou US$ 750 milhões e avaliou a empresa em US$ 3 bilhões, segundo fontes com conhecimento do acordo. Além disso, os US$ 250 milhões ficarão condicionados ao cumprimento de metas operacionais, incluindo a instalação de sensores da Waabi em pelo menos 25 mil veículos integrados à rede da Uber.

Mercado de robotáxis e a lógica de escala da Uber

A forma como a Uber estrutura o investimento revela uma leitura clara sobre o mercado de robotáxis: escala depende menos de propriedade da tecnologia e mais de integração eficiente entre plataformas. A Waabi, fundada em 2021 e sediada em Toronto, desenvolveu sistemas de direção autônoma adaptáveis tanto a caminhões quanto a veículos de passageiros.

Segundo Dara Khosrowshahi, CEO da Uber, a decisão acompanha uma reorganização do setor automotivo. A avaliação é: independentemente do tamanho, poucos fabricantes mantêm projetos próprios de autonomia completa. O que, por consequência, amplia o espaço para startups especializadas, parcerias industriais e plataformas capazes de distribuir demanda.

Além da Uber, a rodada de investimentos da Waabi contou ainda com G2 Venture Partners, Khosla Ventures, Porsche e Volvo. Indicando, inclusive, interesse cruzado entre capital de risco e montadoras em soluções escaláveis de tecnologia embarcada.

Disputa global e reposicionamento competitivo

O avanço no mercado de robotáxis ocorre em um ambiente de competição intensa. A Uber mantém acordos com a Waymo, da Alphabet, nos Estados Unidos, e com a Baidu em mercados da Ásia e do Oriente Médio. Também enfrenta concorrência direta da Zoox, controlada pela Amazon, em grandes centros urbanos. Isso, sem falar, é claro, na Tesla, que testa veículos autônomos na Ásia.

Desde a venda de sua antiga unidade de tecnologias autônomas para a Aurora Innovation, em 2020, a empresa reposicionou sua atuação. Em julho, firmou parceria com Nuro e Lucid para implantar cerca de 20 mil robotáxis ao longo de seis anos. Além disso, mais recentemente, criou a divisão AV Labs, voltada à coleta e organização de dados da frota para parceiros de autonomia.

Mercado de robotáxis entre carga e passageiros

Para Raquel Urtasun, fundadora da Waabi, o investimento da Uber ocorre em um momento em que fabricantes revisam prioridades. Além disso, segundo ela, cresce a percepção de que colaborar com provedores externos é mais viável do que desenvolver soluções completas internamente.

Além do transporte urbano, a Waabi mantém projetos em logística autônoma, incluindo parceria com a Volvo para explorar o mercado de caminhões dos Estados Unidos, estimado em US$ 1 trilhão. Nesse contexto, o mercado de robotáxis passa a dialogar diretamente com carga, dados e eficiência operacional, ampliando seu peso estratégico nas decisões das grandes plataformas de mobilidade.

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Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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