O IPO do Agibank nos Estados Unidos (EUA) entrou no radar do mercado nesta quinta-feira (29/01). O banco foi anunciado no mesmo dia da estreia do PicPay na Nasdaq, reforçando a percepção de que investidores globais voltaram a olhar para fintechs brasileiras. A oferta inicial de ações focada em crédito consignado pode levantar até US$ 830 milhões, considerando o lote adicional e o preço médio da faixa indicativa.
A operação prevê a emissão de 43,6 milhões de ações Classe A. Os preços variam entre US$ 15 e US$ 18 por papel. A oferta-base, integralmente primária, pode movimentar cerca de US$ 720 milhões, enquanto o lote extra, formado por ações de acionistas atuais, soma até US$ 108 milhões, dependendo da demanda.
IPO do Agibank e a estrutura da oferta
Goldman Sachs, Morgan Stanley e Citigroup coordenam o IPO do Agibank nos EUA, o que reforça o perfil internacional da operação. As ações serão negociadas sob o ticker AGBK. Marciano Testa, o fundador, mantém os títulos Classe B e mantém o controle da empresa após a abertura de capital.
A definição do preço final está prevista para 10 de fevereiro, com estreia na Bolsa de Valores de Nova York no dia seguinte. A estrutura segue o modelo adotado por outras fintechs que buscaram investidores fora do Brasil para acessar pools mais amplos de capital.
Listagem nos EUA e o contexto de mercado
O anúncio ocorreu no mesmo dia em que o PicPay registrou demanda superior a 12 vezes o volume ofertado, segundo pessoas próximas à operação. Para banqueiros e analistas, esse desempenho reforça a leitura de que o mercado acionário internacional voltou a se mostrar receptivo a histórias de crescimento vindas do Brasil.
A avaliação é que, após quatro anos sem ofertas relevantes, operações bem-sucedidas podem destravar uma sequência de novos registros. O setor financeiro digital aparece como principal candidato, por reunir escala, tecnologia e margens elevadas.
IPO do Agibank sob o peso do risco regulatório
Apesar dos números fortes, o IPO do Agibank nos EUA ocorre sob atenção redobrada ao risco regulatório. O banco retomou recentemente a concessão de crédito consignado a aposentados e pensionistas após acordo com o INSS, depois de uma suspensão motivada por falhas contratuais identificadas no fim de 2025.
No prospecto enviado à SEC, o Agibank reconhece que eventuais novas interrupções nessa linha de crédito podem afetar seus resultados. O consignado é o principal motor do modelo de negócios e concentra parcela relevante da receita.
Nos nove meses encerrados em setembro, o banco reportou lucro líquido de R$ 831,7 milhões. É uma alta de 39,3% na comparação anual, além de um retorno sobre o patrimônio médio de 39,1%. Esses indicadores sustentam a tese financeira do IPO nos EUA, mas o mercado seguirá atento à capacidade da Agibank de operar sob regras mais rígidas e fiscalização contínua.











