A acusação apresentada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) contra a CVC ganhou novo capítulo na sexta-feira (30), quando veio a público a formalização de um processo, peça acusatória contra Luiz Fernando Fogaça, ex-CEO da operadora de turismo. O documento aponta inconsistências contábeis de R$ 362 milhões nos balanços da companhia entre 2015 e 2019, período que antecede a fase mais delicada enfrentada pela empresa no mercado de capitais.
O processo administrativo, aberto em junho de 2022, apura possíveis falhas no cumprimento de deveres fiduciários e eventual fraude relacionada às demonstrações financeiras da CVC Brasil Operadora e Agência de Viagens S.A. Embora a apuração exista há anos no regulador, a conclusão formal da acusação ampliou a pressão jurídica sobre o ex-executivo e recolocou a governança da companhia no radar de investidores.
Acusação na CVM e o papel da antiga gestão
Luiz Fernando Fogaça atuou como diretor financeiro por oito anos antes de assumir a presidência executiva entre 2019 e 2020. Segundo a autarquia, as inconsistências identificadas nos balanços teriam influenciado indicadores usados para remuneração variável, levantando suspeitas sobre pagamento de bônus a executivos em patamar incompatível com a real situação financeira da empresa.
A investigação indica que os próprios controles internos da CVC já haviam identificado falhas anteriormente. Ainda assim, a formalização da acusação ocorreu apenas em dezembro de 2025, com a citação do ex-CEO em janeiro de 2026. O avanço do processo abre espaço para penalidades administrativas, que podem incluir multas e restrições à atuação no mercado de capitais.
Reação do mercado e perda de valor na Bolsa
Os efeitos do caso extrapolam o âmbito regulatório. Quando as falhas começaram a ser divulgadas, em 2020, as ações da CVC chegaram a cair cerca de 50% em poucos pregões. Desde então, o papel acumulou forte desvalorização, refletindo a deterioração da confiança dos investidores.
Atualmente, os papéis da companhia são negociados a R$ 2,54, apenas uma fração do valor registrado no fim de 2019. O valor de mercado, hoje próximo de R$ 1,34 bilhão, contrasta com o período em que a empresa figurava entre os principais nomes do setor de turismo listados na B3.
Processo na CVM e os próximos passos da CVC
Enquanto o processo segue na fase de apresentação de defesas na CVM, a atual administração tenta reposicionar a CVC. A estratégia para 2026 prevê um modelo de consultoria porta a porta, com meta de alcançar 10 mil consultores ativos, em uma tentativa de recompor a rede de vendas e recuperar participação comercial.
Em nota, a empresa informou que ainda não recebeu intimação formal sobre o processo. Ainda assim, analistas avaliam que a acusação conduzida pela CVM envolvendo a CVC segue como um fator relevante para o valuation, uma vez que a definição do caso tende a influenciar a percepção de risco e o apetite de investidores no médio prazo.











