O déficit primário de 2025 fechou o ano em R$ 55,021 bilhões, o equivalente a 0,43% do Produto Interno Bruto (PIB). O Banco Central divulgou os dados na sexta-feira (30/01). O resultado ficou praticamente alinhado à mediana das projeções do mercado. Com isso, o debate fiscal se concentrou mais na composição do saldo do que em seu valor nominal.
Na comparação anual, o déficit superou levemente o registrado em 2024, quando somou R$ 47,553 bilhões. Ainda assim, permaneceu bem abaixo do patamar observado em 2023. A trajetória indica um ajuste fiscal ainda incompleto, porém mais previsível, em um ambiente macroeconômico menos adverso.
Déficit primário e a divisão entre os entes
O governo central respondeu pela maior parte do déficit primário de 2025. Suas contas fecharam o ano com saldo negativo de R$ 58,687 bilhões, o equivalente a 0,46% do PIB. Na direção oposta, Estados e municípios registraram superávit conjunto de R$ 9,537 bilhões. As empresas estatais, por sua vez, encerraram o período com déficit de R$ 5,871 bilhões, excluídas Petrobras e Eletrobras.
Ao observar os entes separadamente, os Estados apresentaram superávit de R$ 5,453 bilhões. Os municípios também fecharam no azul, com resultado positivo de R$ 4,084 bilhões. Essa assimetria reforça o peso das contas federais no resultado consolidado. Ao mesmo tempo, ajuda a explicar por que o déficit primário de 2025 permaneceu contido, mesmo diante de pressões recorrentes de gasto.
Resultado fiscal anual sob o olhar do mercado
Antes da divulgação oficial, as estimativas do mercado variavam entre R$ 75,4 bilhões e R$ 43 bilhões de saldo negativo. O número final se posicionou próximo ao centro desse intervalo. Com isso, reduziu ruídos de curto prazo nos preços de ativos sensíveis à política fiscal.
O resultado também dialoga com a evolução da dívida pública bruta. Em dezembro, o indicador fechou em 78,7% do PIB, abaixo do que parte do mercado projetava. O dado ameniza, mas não afasta, questionamentos sobre a dinâmica futura da dívida. O cenário combina resultado primário negativo, contas públicas pressionadas e busca contínua por equilíbrio fiscal.
Déficit primário de 2025, dezembro e o pano de fundo macro
Em dezembro, o setor público registrou superávit primário de R$ 6,251 bilhões. O número reverteu o déficit observado em novembro. O governo central puxou o resultado do mês, enquanto Estados e municípios encerraram o período no negativo.
Esse fechamento mensal ocorreu em um contexto de mercado de trabalho aquecido. A taxa de desemprego terminou 2025 em 5,1%. A renda média real alcançou R$ 3.613. Nesse ambiente, o déficit primário de 2025 resume um ano de equilíbrio administrado entre disciplina fiscal, crescimento econômico e demandas sociais, deixando decisões relevantes para 2026.











