O déficit primário em 2025 do setor público consolidado somou R$ 55,021 bilhões, equivalente a 0,43% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira (30/01). O indicador mede a diferença entre receitas e despesas antes do pagamento de juros da dívida pública, reunindo as contas do governo central, dos Estados, dos municípios e das empresas estatais, com exclusão de Petrobras e Eletrobras.
O valor, inclusive, ficou alinhado à mediana das estimativas do mercado, que apontava déficit de R$ 56,2 bilhões. As projeções variaram de R$ 75,4 bilhões a R$ 43,0 bilhões, indicando dispersão relevante, mas sem desvio em relação ao consenso formado ao longo do ano fiscal.
Déficit primário em 2025 e a composição por esfera
A decomposição do resultado mostra que o déficit primário em 2025 ficou concentrado no governo central. Enquanto isso, os entes subnacionais ajudaram a atenuar o resultado consolidado. Em termos objetivos:
- Governo central: déficit primário de R$ 58,687 bilhões em 2025, equivalente a 0,46% do PIB, respondendo pela maior parcela do desequilíbrio fiscal do setor público.
- Estados e municípios (conjunto): superávit de R$ 9,537 bilhões, correspondente a 0,07% do PIB, amortecendo o resultado negativo agregado.
- Estados: saldo positivo de R$ 5,453 bilhões, ou 0,04% do PIB, no acumulado do ano.
- Municípios: superávit de R$ 4,084 bilhões, equivalente a 0,03% do PIB.
- Empresas estatais: déficit primário de R$ 5,871 bilhões, cerca de 0,05% do PIB, com contribuição negativa para o consolidado.
Resultado de dezembro no fechamento do ano
No fechamento de 2025, o resultado fiscal de dezembro teve papel relevante na composição do saldo anual do setor público. Portanto, os dados mostram:
- Setor público consolidado: superávit primário de R$ 6,251 bilhões em dezembro de 2025, revertendo o déficit registrado em novembro.
- Expectativas de mercado: mediana das projeções indicava superávit de R$ 4,45 bilhões, abaixo do resultado efetivo do mês.
- Governo central: superávit primário de R$ 21,572 bilhões, principal fator de sustentação do saldo positivo mensal.
- Estados e municípios (conjunto): déficit de R$ 19,783 bilhões, associado à concentração de despesas no encerramento do exercício fiscal.
- Empresas estatais: superávit de R$ 4,463 bilhões em dezembro, contribuindo positivamente para o resultado consolidado.
Déficit primário em 2025 e a leitura do resultado fiscal
A leitura consolidada do Banco Central para o déficit primário em 2025 reforça a assimetria entre o desempenho fiscal da União e o dos entes subnacionais ao longo do período. Enquanto Estados e municípios mantiveram saldos positivos no acumulado do ano, o governo central concentrou o resultado negativo.
Esse desenho ajuda a entender por que o déficit primário em 2025 ficou em patamar moderado em termos proporcionais ao PIB, ainda que tenha preservado desafios estruturais para a política fiscal. Para o mercado, a interpretação desse resultado serve como base para avaliar a condução das despesas federais nos próximos exercícios, em um ambiente de crescimento econômico mais contido.











