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Juros na Colômbia: decisão dura do Banco Central reacende debate monetário

Os juros na Colômbia subiram para 10,25% após o banco central reagir à alta das expectativas de inflação, apesar do crescimento firme e do avanço do déficit externo.
Imagem da bandeira da Colômbia para ilustrar uma matéria jornalística sobre os Juros na Colômbia.
(Imagem: Flavia Carpio/Unsplash)

Os juros na Colômbia voltaram ao centro da agenda econômica nesta sexta-feira (30), após o Banco da República elevar a taxa básica em 1 ponto porcentual, para 10,25% ao ano. A decisão refletiu a piora das expectativas inflacionárias e o avanço da inflação subjacente, apesar da desaceleração marginal do índice cheio.

O ajuste nos juros ocorreu em um ambiente de forte divisão interna. Quatro diretores defenderam a alta mais agressiva, enquanto dois votaram por corte de 50 pontos-base e um optou pela manutenção. O placar expôs a complexidade do cenário, no qual a inflação mostra sinais persistentes ao mesmo tempo em que a atividade segue aquecida.

Juros na Colômbia e inflação persistente

A inflação cheia recuou levemente em dezembro, de 5,2% para 5,1% na comparação anual. No entanto, a inflação básica, que exclui alimentos e preços regulados, avançou para 5,02%, acima dos 4,85% registrados em novembro. Para o Banrep, esse dado reforça a presença de pressões mais duradouras sobre os preços.

Além disso, as expectativas de inflação sofreram forte deterioração em janeiro. Entre analistas, a mediana para o fim de 2026 saltou de 4,6% para 6,4%, enquanto a projeção para 2027 subiu de 3,8% para 4,8%. No mercado de dívida, as expectativas implícitas passaram a superar 6% no horizonte de dois anos, distanciando-se da meta perseguida pela autoridade monetária.

Atividade aquecida e contas externas

Do lado da economia real, indicadores do quarto trimestre de 2025 apontam manutenção de um ritmo considerado favorável pelo banco central. A demanda interna segue sustentada, com consumo privado e público exercendo papel relevante. A equipe técnica do Banrep estima crescimento de 2,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025.

No setor externo, porém, o quadro inspira maior cautela. O déficit em conta corrente deve alcançar 2,4% do PIB neste ano, acima dos 1,6% registrados em 2024. O resultado reflete a expansão das importações, em contraste com um avanço mais contido das exportações.

Os próximos passos na Colômbia

Ao justificar a decisão, o Banco Central da Colômbia afirmou que a elevação dos juros busca recolocar a inflação em trajetória descendente. O comunicado também destacou riscos externos, como conflitos comerciais, medidas migratórias nos Estados Unidos, tensões geopolíticas e a percepção sobre o risco soberano do país.

A sinalização indica que os próximos passos da política monetária dependerão da evolução dos dados. Com expectativas desancoradas e atividade ainda firme, o debate sobre o nível adequado dos juros na Colômbia deve seguir intenso nos próximos meses.

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