O mercado de trabalho no Brasil encerrou 2025 com renda média real em nível histórico e taxa de desemprego próxima das mínimas, reforçando a sustentação da atividade econômica. Na sexta-feira (30/01), dados da PNAD Contínua do IBGE mostraram que o rendimento médio alcançou R$ 3.613, alta de 5% no ano, enquanto o desemprego ficou em 5,4% no trimestre móvel.
Esse quadro combina avanço da ocupação com maior poder de compra. A população ocupada chegou a 102,4 milhões de pessoas, crescimento de 1,1% em relação a dezembro de 2024. Ao mesmo tempo, a taxa de subutilização recuou para 13,4%, indicando menor ociosidade no mercado.
Mercado de trabalho no Brasil e a dinâmica da renda
A leitura dos economistas aponta que o aumento dos rendimentos não se explica por um único fator. A demanda elevada por mão de obra, a escassez em alguns setores e o ganho real do salário mínimo impulsionaram os salários ao longo de 2025.
Além disso, o emprego formal avançou 3,5% no ano, enquanto o informal registrou leve queda de 0,4%. O grupo de trabalhadores por conta própria cresceu 9,1%, sinalizando mudanças estruturais na forma de inserção no mercado.
A taxa de desemprego segue abaixo do nível neutro, o que dificulta uma reversão rápida do quadro atual. Na avaliação do economista, mesmo com oscilações nos próximos meses, o patamar segue baixo no curto prazo.
Emprego, consumo e efeitos sobre a economia
Com mais renda disponível, as famílias mantiveram a demanda por serviços, o que ajudou a suavizar a desaceleração econômica. Esse contexto reduz a força do aperto monetário, mesmo com a Selic em 15% ao ano.
O emprego preserva a capacidade de consumo das famílias e sustenta segmentos intensivos em serviços. Segundo ela, esse fator explica por que a economia perde ritmo de forma gradual.
Outro ponto citado por analistas envolve a demografia e a expansão do trabalho em plataformas digitais. Menor crescimento da força de trabalho e mudanças no perfil ocupacional influenciam a oferta de mão de obra, alterando o equilíbrio tradicional do mercado.
Mercado de trabalho no Brasil em 2026
Para 2026, as projeções indicam ajuste moderado. A XP e o Itaú estimam desemprego em 5,7% ao fim do ano, enquanto o C6 Bank projeta 5,5%. O PicPay vê desemprego próximo de 5,2% nas próximas leituras, com leve correção ao longo do ano.
O consenso aponta que o mercado de trabalho no Brasil seguirá como um dos principais sustentáculos da atividade, ainda que com menor fôlego. Esse cenário mantém o consumo ativo e exige cautela adicional na condução da política monetária.











