Os resultados da Apple no trimestre encerrado em dezembro consolidaram um fechamento de ano acima das expectativas do mercado. Na quinta-feira (29/01), a companhia reportou receita recorde de US$ 144 bilhões, impulsionada pelo desempenho do iPhone e pela retomada das vendas na China. Tudo mesmo em um ambiente ainda marcado por cautela em torno da inteligência artificial.
O faturamento avançou 16% na comparação anual, superando o intervalo de crescimento projetado pela própria empresa, que variava entre 10% e 12%. Além disso, o lucro líquido somou US$ 42 bilhões no período, enquanto a margem bruta atingiu 48,2%, acima da expectativa média do mercado, estimada em 47,5%.
Resultados da Apple e o peso do iPhone
Os resultados da Apple tiveram no iPhone seu principal vetor financeiro no trimestre. A receita com smartphones cresceu 23% na comparação anual, impulsionada pelo lançamento da linha iPhone 17. E, além disso, pela forte demanda durante o período das festas de fim de ano.
Segundo o diretor financeiro Kevan Parekh, a boa recepção do portfólio estimulou tanto a troca de modelos antigos quanto a migração de consumidores vindos de marcas concorrentes. Esse comportamento sustentou volumes elevados mesmo em um cenário de consumo mais seletivo em alguns mercados.
O desempenho, porém, reforça a dependência controlada da Apple em relação ao iPhone, que segue como pilar do caixa da companhia. Mesmo com a expansão gradual das frentes digitais e de serviços.
Retomada na China e avanço dos serviços
Outro ponto central dos resultados da Apple foi a retomada no mercado chinês. As vendas na região cresceram 38% em relação ao ano anterior, revertendo um período de dois anos marcado por oscilações, concorrência mais intensa de fabricantes locais, como a Huawei, e restrições regulatórias ao uso de dispositivos da marca.
Paralelamente, a divisão de serviços atingiu receita recorde de US$ 30 bilhões no trimestre. O segmento inclui App Store, Apple Pay e iCloud, áreas de alta margem que seguem ampliando participação no faturamento e contribuindo para a rentabilidade consolidada da empresa.
Esse equilíbrio entre hardware e serviços ajudou a limitar o impacto de fatores externos, como as tarifas comerciais dos Estados Unidos. Que, portanto, tiveram efeito restrito sobre os números do período, segundo a companhia.
Resultados da Apple e a estratégia em inteligência artificial
Apesar do desempenho financeiro robusto, os resultados da Apple ainda convivem com questionamentos sobre a estratégia em inteligência artificial. Enquanto outras big techs aceleram investimentos em modelos, chips e data centers, a empresa mantém uma abordagem mais seletiva, baseada em parcerias.
Neste mês, a Apple confirmou acordos para integrar os modelos Gemini do Google, além da ampliação da colaboração com a OpenAI em recursos do iPhone e da assistente Siri. Além disso, a companhia também anunciou a aquisição da startup israelense Q.AI, avaliada em cerca de US$ 2 bilhões, focada em tecnologias de “fala silenciosa” para dispositivos vestíveis.
De toda forma, o mercado segue atento ao possível aumento de custos ao longo de 2026, diante da escassez global de chips de memória. Ainda assim, os resultados recentes indicam que a Apple mantém capacidade de combinar escala, margens elevadas e disciplina estratégica em um ambiente competitivo mais exigente.











