A China reduziu tarifas aplicadas a parte dos produtos lácteos da União Europeia ao concluir uma investigação anti-subsídios acompanhada de perto por Bruxelas e pelo setor exportador europeu. Com isso, as alíquotas finais ficaram abaixo das taxas provisórias anunciadas no fim de 2024. Ainda assim, permanecem obstáculos comerciais relevantes para os fabricantes do bloco.
Segundo associações do setor, as tarifas adicionais definidas por Pequim chegam a 11,7%. Esse patamar é bem inferior ao teto de 42,7% previsto inicialmente. Por outro lado, muitas empresas devem enfrentar uma taxa em torno de 9,5%. Assim, o desenho da disputa muda, mas seus efeitos sobre preços e competitividade não desaparecem.
China reduziu tarifas e o desenho da decisão
A decisão ocorre após meses de apuração conduzida pelo Ministério do Comércio da China. No setor europeu, o processo é interpretado como resposta às tarifas impostas pela União Europeia sobre veículos elétricos chineses. No entanto, essa leitura não foi confirmada oficialmente por Pequim.
Em 2024, a China importou cerca de US$ 589 milhões em produtos lácteos da UE abrangidos pela investigação. Mesmo com a redução das taxas, barreiras comerciais e alíquotas adicionais seguem presentes. Além disso, custos de importação continuam a pressionar as exportações europeias, sobretudo em segmentos de maior valor agregado.
Pressão competitiva e comércio bilateral
As tarifas finais ainda limitam a capacidade de competição dos produtos europeus no mercado chinês. O cenário amplia o risco de perda de espaço para fornecedores alternativos.
Nesse grupo, destaca-se a Nova Zelândia, tradicional competidora no fornecimento de lácteos ao país asiático. Nesse contexto, exportações agrícolas, acordos comerciais e política tarifária ganham peso na relação entre China e União Europeia. Como resultado, o comércio bilateral permanece condicionado por decisões regulatórias que afetam preços finais, margens e estratégias empresariais.
China reduziu tarifas e o efeito doméstico
Além do impacto externo, a medida dialoga com a situação interna do setor lácteo chinês. Produtores locais enfrentam excesso de oferta, preços em queda e demanda enfraquecida. Diante disso, cresce a sensibilidade do governo ao uso de instrumentos de defesa comercial.
Ao mesmo tempo, a China reduziu tarifas sem eliminá-las por completo. Dessa forma, preserva certo grau de proteção ao mercado doméstico. Paralelamente, sinaliza abertura para ajustes táticos na disputa com a Europa. O episódio mostra como decisões tarifárias seguem integradas à estratégia comercial chinesa, com efeitos que extrapolam o setor lácteo e alcançam as relações econômicas globais.











