O juros na Colômbia voltou ao centro do debate monetário regional na sexta-feira (30/01), quando o Banco da República elevou a taxa básica para 10,25% ao ano. A decisão rompeu a estabilidade anterior e ocorreu em meio ao avanço da inflação subjacente e à deterioração das expectativas para os próximos anos.
O ajuste veio acompanhado de dissidências relevantes dentro da diretoria. Enquanto a maioria defendeu uma alta mais firme, parte dos diretores avaliou que o cenário ainda permitiria cautela. A divisão reforça a complexidade do ambiente econômico enfrentado pelo país.
Juros na Colômbia e a pressão inflacionária
A principal motivação para a mudança no patamar do juros na Colômbia foi o comportamento da inflação básica. Em dezembro, o índice que exclui alimentos e preços regulados avançou para 5,02%, superando o nível observado no mês anterior e indicando pressões mais persistentes.
Embora a inflação cheia tenha recuado levemente para 5,1% no acumulado em 12 meses, o banco central avaliou que o alívio foi insuficiente. As expectativas de inflação passaram a pesar mais na decisão, diante do risco de desancoragem no médio prazo.
Nesse contexto, as projeções dos analistas sofreram revisão expressiva. A mediana para 2026 saltou para 6,4%, enquanto a estimativa para 2027 avançou para 4,8%. No mercado de dívida, as taxas implícitas já operam acima de 6% no horizonte de dois anos.
Atividade econômica e cenário externo
Mesmo com a postura mais dura, os dados de atividade seguem fornecendo algum suporte à decisão. Indicadores do quarto trimestre de 2025 apontam crescimento sustentado, impulsionado pela demanda interna, com destaque para o consumo privado e o gasto público.
A equipe técnica do Banco da República estima que o PIB tenha avançado 2,9% em 2025. Esse desempenho reduz o espaço para estímulos adicionais, sobretudo diante do risco inflacionário ainda presente.
No setor externo, o quadro é menos confortável. O déficit em conta corrente deve alcançar 2,4% do PIB em 2025, refletindo o avanço das importações e uma expansão mais moderada das exportações. Além disso, pesam incertezas ligadas a conflitos comerciais, tensões geopolíticas e à percepção de risco soberano.
Juros na Colômbia e os próximos passos
Ao justificar a decisão, o banco central afirmou que o objetivo é fazer com que a inflação retome trajetória descendente. O comunicado deixou claro que os próximos movimentos do juros na Colômbia dependerão da evolução dos dados e das expectativas.
A combinação de inflação subjacente elevada, expectativas pressionadas e um ambiente externo instável sugere que a política monetária seguirá guiada por prudência. Para o mercado, a divisão interna expõe que o debate está longe de encerrado e que o custo do dinheiro continuará como variável-chave para a economia colombiana.











