A alta do Ibovespa marcou o início de 2026 com números raros. Na sexta-feira (30/01), o índice encerrou janeiro após avançar 12,56%, superando pela primeira vez os 186 mil pontos. Foi o melhor desempenho mensal desde novembro de 2020, sustentado por entrada expressiva de capital externo e revisão de expectativas para juros no Brasil.
Além do ganho acumulado, o mês trouxe apreciação do real. O dólar recuou 4,40% frente à moeda brasileira, fechando a R$ 5,2476, em um ambiente de maior apetite por ativos de risco, leitura favorável para a Bolsa brasileira e recomposição de carteiras globais.
Alta do Ibovespa e o peso do capital estrangeiro
Dados da B3 mostram que investidores estrangeiros aportaram mais de R$ 23 bilhões até 28 de janeiro. O volume foi o maior para um mês desde janeiro de 2022 e quase igualou todo o ingresso registrado ao longo de 2025. A rotação internacional ganhou força na segunda quinzena, com saída parcial de recursos dos Estados Unidos.
Esse fluxo encontrou um mercado doméstico com liquidez, valuation ainda competitivo e empresas ligadas a commodities e consumo. O avanço do petróleo Brent, que subiu 13,9% no mês, favoreceu papéis de energia e ajudou a sustentar a alta do Ibovespa em novas máximas.
Juros, câmbio e cenário político no radar
No front monetário, o Comitê de Política Monetária manteve a Selic em 15% ao ano, mas retomou o forward guidance ao indicar corte na próxima reunião. A sinalização levou a curva de juros futuros a precificar redução de 0,50 ponto percentual, melhorando a atratividade relativa das ações.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve interrompeu o ciclo de cortes e manteve os juros entre 3,50% e 3,75%. A decisão dividida e a indicação de novo comando ao Fed adicionaram ruído externo, enquanto o acordo entre Mercosul e União Europeia reforçou a leitura positiva para o Brasil no comércio global.
Alta do Ibovespa: vencedores, riscos e próximos passos
Entre os destaques, Cogna avançou 44% em janeiro após revisões de bancos, e Petrobras somou mais de 24%, apoiada pelo petróleo e por melhora do valor de mercado. Na outra ponta, Vivara caiu com a alta do ouro, pressionando custos.
Adiante, a alta do Ibovespa dependerá da execução do corte de juros, da continuidade do fluxo estrangeiro e do acompanhamento do calendário eleitoral e de eventos institucionais. Com política monetária mais previsível e cenário externo volátil, o índice entra em 2026 testando novos patamares, com seletividade maior entre setores.











