A queda do bitcoin ganhou força no sábado (01/02), quando a principal criptomoeda do mercado passou a operar abaixo dos US$ 80 mil, em meio a uma nova rodada de liquidações em derivativos. O BTC era negociado próximo de US$ 78 mil, acumulando recuo de 5% em 24 horas e perda de cerca de 10% em cinco dias, em um ambiente marcado por volatilidade elevada e menor apetite por risco.
O movimento não ficou restrito ao Bitcoin. O Ethereum recuou 8,85% no mesmo intervalo, enquanto o Tether manteve estabilidade, com leve alta de 0,09%. O pano de fundo, segundo dados do CoinGlass, foi a liquidação de mais de US$ 1,8 bilhão em contratos futuros de criptomoedas, volume que ampliou a pressão vendedora em um mercado já fragilizado.
Liquidações intensificam a queda do bitcoin
Grande parte das liquidações recentes ocorreu em posições que apostavam na alta dos preços. Aproximadamente US$ 1,6 bilhão dos contratos encerrados estavam posicionados na compra, o que acelerou a correção à medida que níveis técnicos foram rompidos. Esse tipo de ajuste forçado tende a gerar efeitos em cascata, elevando a instabilidade no curto prazo.
O comportamento reforça a importância do mercado de derivativos na formação de preços. Quando o posicionamento fica concentrado em uma única direção, pequenas correções podem ganhar tração rapidamente. Nesse contexto, a queda do bitcoin passa a refletir não apenas fundamentos, mas também a estrutura das apostas alavancadas.
O momento exige atenção redobrada. Caso o ativo rompa suportes de forma consistente, ajustes de portfólio podem se tornar necessários, embora ainda não haja confirmação de uma mudança estrutural definitiva.
Wall Street e o debate sobre tecnologia entram no radar
Outro fator relevante veio de fora do universo cripto. Questionamentos em Wall Street sobre a sustentabilidade de trilhões de dólares alocados em projetos de inteligência artificial atingiram ações de tecnologia e, por consequência, ativos correlacionados. O Bitcoin, cada vez mais sensível a esse fluxo, acompanhou o humor negativo.
Essa conexão ajuda a explicar por que a queda do bitcoin ocorreu mesmo sem notícias adversas específicas do setor cripto. O ativo tem reagido como um termômetro ampliado do risco global, refletindo ajustes em bolsas tradicionais e mudanças nas expectativas dos investidores institucionais.
Nesse cenário, executivos do setor já trabalham com cenários mais defensivos. Os níveis próximos a US$ 75 mil entraram no radar técnico e que os próximos fechamentos serão determinantes para diferenciar uma correção pontual de uma tendência de baixa mais prolongada.
Queda do bitcoin e o ruído monetário nos EUA
O ambiente ficou ainda mais complexo após a indicação de Kevin Warsh como possível próximo presidente do Federal Reserve. Embora conhecido pelo discurso anti-inflacionário, sua recente aproximação com a Casa Branca e o apoio à redução de juros geraram leituras ambíguas no mercado.
Parte dos investidores vê risco em uma condução mais inclinada a estímulos agressivos, o que pode pressionar expectativas de inflação. Esse tipo de incerteza costuma penalizar ativos voláteis, como as criptomoedas, ao mesmo tempo em que reduz a disposição ao risco.
A queda do bitcoin, portanto, se insere em um contexto mais amplo de ajuste global, no qual liquidações técnicas, correlação com tecnologia e ruídos de política monetária se combinam. O desfecho dependerá da capacidade do mercado de absorver esses choques sem comprometer sua estrutura no médio prazo.











