Pedido de recuperação judicial do Grupo Fictor expõe efeito dominó após caso Master

Letreiro da Fictor ilustrando recuperação judicial do Grupo Fictor após crise ligada ao Banco Master
Pedido de recuperação judicial do Grupo Fictor ocorre após efeitos financeiros associados ao caso Banco Master. (Foto: Divulgação/Fictor/YouTube)

O pedido de recuperação judicial do Grupo Fictor foi protocolado no último domingo (01/02), no Tribunal de Justiça de São Paulo, envolvendo a Fictor Holding e a Fictor Invest. O pedido ocorre após uma crise de liquidez que levou o grupo a buscar proteção judicial para reorganizar compromissos financeiros estimados em cerca de R$ 4 bilhões.

Segundo a companhia, a deterioração do caixa teve início em 18 de novembro do ano passado, quando o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master. À época, um consórcio liderado por um dos sócios da Fictor havia apresentado proposta para aquisição e transferência de controle da instituição financeira.

Recuperação judicial do Grupo Fictor e a origem da crise

No pedido apresentado à Justiça, o grupo associa a pressão financeira a efeitos indiretos do episódio envolvendo o Banco Master. Em comunicado, a empresa afirma que especulações de mercado e notícias negativas afetaram a percepção de risco sobre a Fictor Holding e a Fictor Invest. O que, por consequência, teria restringido o acesso à liquidez.

Para conter a pressão imediata sobre o caixa, a companhia solicitou tutela de urgência para suspender execuções e bloqueios por um período inicial de 180 dias. A medida, prevista na legislação, cria um ambiente de negociação coletiva com credores e evita ações isoladas que possam comprometer o funcionamento das empresas incluídas no processo.

Além disso, o grupo também é a ser questionado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) após denúncias envolvendo contratos prometendo rendimentos acima do padrão do mercado.

O que é o Grupo Fictor e qual a ligação com o Banco Master

O Grupo Fictor é uma holding de investimentos com atuação em áreas como serviços financeiros, alimentos e infraestrutura. Sua participação engloba empresas no Brasil e no exterior. Porém, nos últimos anos, o grupo ampliou sua visibilidade ao entrar em operações de maior porte no setor financeiro. Além disso, também firmou contratos de patrocínio esportivo de ampla exposição.

A ligação com o Banco Master surgiu quando um consórcio liderado por um dos sócios da Fictor anunciou a intenção de adquirir a instituição. A operação, porém, dependia de aval regulatório. Contudo, Antes da conclusão do processo, o Banco Central decretou a liquidação do banco, interrompendo o negócio. Segundo a própria empresa, esse episódio passou a pressionar sua reputação e contribuiu para a perda de liquidez.

Recuperação judicial do Grupo Fictor e exposição institucional

A recuperação judicial do Grupo Fictor ocorre em um momento de elevada exposição institucional. Desde março do ano passado, a marca figura como patrocinadora do futebol masculino e feminino do Palmeiras. Além disso, também estampa as categorias de base do clube paulista.

No comunicado ao mercado, a companhia afirmou que os ativos operacionais seguem em funcionamento e que a base produtiva permanece relevante. Além disso, o pedido de recuperação judicial não inclui subsidiárias do grupo. A empresa não informou se contratos de patrocínio serão impactados pelo processo.

No mercado, o caso reforça como eventos regulatórios no sistema financeiro podem gerar efeitos indiretos sobre grupos empresariais conectados a operações sensíveis. A condução da recuperação judicial Grupo Fictor será determinante para medir a capacidade de estabilização financeira e preservação de valor ao longo das negociações com credores.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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