O pedido de recuperação judicial do Grupo Fictor foi protocolado no último domingo (01/02), no Tribunal de Justiça de São Paulo, envolvendo a Fictor Holding e a Fictor Invest. O pedido ocorre após uma crise de liquidez que levou o grupo a buscar proteção judicial para reorganizar compromissos financeiros estimados em cerca de R$ 4 bilhões.
Segundo a companhia, a deterioração do caixa teve início em 18 de novembro do ano passado, quando o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master. À época, um consórcio liderado por um dos sócios da Fictor havia apresentado proposta para aquisição e transferência de controle da instituição financeira.
Recuperação judicial do Grupo Fictor e a origem da crise
No pedido apresentado à Justiça, o grupo associa a pressão financeira a efeitos indiretos do episódio envolvendo o Banco Master. Em comunicado, a empresa afirma que especulações de mercado e notícias negativas afetaram a percepção de risco sobre a Fictor Holding e a Fictor Invest. O que, por consequência, teria restringido o acesso à liquidez.
Para conter a pressão imediata sobre o caixa, a companhia solicitou tutela de urgência para suspender execuções e bloqueios por um período inicial de 180 dias. A medida, prevista na legislação, cria um ambiente de negociação coletiva com credores e evita ações isoladas que possam comprometer o funcionamento das empresas incluídas no processo.
Além disso, o grupo também é a ser questionado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) após denúncias envolvendo contratos prometendo rendimentos acima do padrão do mercado.
O que é o Grupo Fictor e qual a ligação com o Banco Master
O Grupo Fictor é uma holding de investimentos com atuação em áreas como serviços financeiros, alimentos e infraestrutura. Sua participação engloba empresas no Brasil e no exterior. Porém, nos últimos anos, o grupo ampliou sua visibilidade ao entrar em operações de maior porte no setor financeiro. Além disso, também firmou contratos de patrocínio esportivo de ampla exposição.
A ligação com o Banco Master surgiu quando um consórcio liderado por um dos sócios da Fictor anunciou a intenção de adquirir a instituição. A operação, porém, dependia de aval regulatório. Contudo, Antes da conclusão do processo, o Banco Central decretou a liquidação do banco, interrompendo o negócio. Segundo a própria empresa, esse episódio passou a pressionar sua reputação e contribuiu para a perda de liquidez.
Recuperação judicial do Grupo Fictor e exposição institucional
A recuperação judicial do Grupo Fictor ocorre em um momento de elevada exposição institucional. Desde março do ano passado, a marca figura como patrocinadora do futebol masculino e feminino do Palmeiras. Além disso, também estampa as categorias de base do clube paulista.
No comunicado ao mercado, a companhia afirmou que os ativos operacionais seguem em funcionamento e que a base produtiva permanece relevante. Além disso, o pedido de recuperação judicial não inclui subsidiárias do grupo. A empresa não informou se contratos de patrocínio serão impactados pelo processo.
No mercado, o caso reforça como eventos regulatórios no sistema financeiro podem gerar efeitos indiretos sobre grupos empresariais conectados a operações sensíveis. A condução da recuperação judicial Grupo Fictor será determinante para medir a capacidade de estabilização financeira e preservação de valor ao longo das negociações com credores.



