O fluxo de investimento estrangeiro na B3, a Bolsa de Valores Brasileira, atingiu R$ 26,31 bilhões em janeiro, volume que sozinho superou todo o saldo acumulado ao longo de 2025. O dado, apurado nesta terça-feira (03/02), pela consultoria de inteligência de mercado Elos Ayta, reposiciona o início de 2026 como um ponto fora da curva recente do mercado acionário brasileiro.
Sem considerar ofertas públicas iniciais e follow-ons, o ingresso líquido já ultrapassa os R$ 25,47 bilhões registrados no ano passado. Quando se incluem operações do mercado primário, o saldo mensal chega a R$ 26,47 bilhões, praticamente alinhado ao acumulado de 2026 até agora.
Fluxo estrangeiro na B3 quebra recordes históricos
A leitura mensal confirma janeiro de 2026 como o maior registro da série histórica iniciada em 2022 pela Elos Ayta. Até então, o maior saldo havia ocorrido em fevereiro de 2022.
- R$ 26,31 bilhões de entrada líquida sem mercado primário
- R$ 26,47 bilhões com IPOs e follow-ons
- R$ 24,31 bilhões era o recorde anterior, considerado com operações primárias
- Apenas janeiro de 2024 registrou saída líquida no período analisado
Segundo a consultoria, o resultado do fluxo estrangeiro na B3 não se limita a operações táticas. A Elos Ayta avalia que os números indicam uma reavaliação mais ampla de preço, risco e posicionamento estratégico em renda variável brasileira.
Entrada de capital externo vem acompanhada de giro elevado
O saldo expressivo ocorreu em um ambiente de forte negociação. O volume financeiro reforça que o ingresso não se deu por falta de liquidez, mas por interesse ativo do investidor estrangeiro.
- R$ 421,4 bilhões em compras de estrangeiros no mês
- R$ 395,1 bilhões em vendas, o segundo maior patamar da série
- Novembro de 2022 segue como recorde isolado de vendas
Para a Elos Ayta, o quadro combina valuation descontado, expectativa de ajuste no ciclo de juros global e busca por diversificação geográfica, em um cenário internacional ainda concentrado em riscos específicos.
Fluxo estrangeiro na B3 entra no radar das projeções globais
Instituições internacionais passaram a tratar a América Latina como destino relevante de alocação. O Bradesco BBI afirma que os fluxos estão aumentando e se diversificando, percepção que segue subestimada por parte do mercado. Outro ponto interessante segue no tipo de investidor, com mulheres tendo crescimento exponencial nas aplicações.
A XP avalia que a rotação dos Estados Unidos para mercados emergentes tende a permanecer nos próximos trimestres. O cenário envolve dólar mais fraco, risco-retorno mais pressionado nas ações americanas e demanda sustentada por ativos reais. Nesse contexto, o fluxo estrangeiro na B3 surge como um dos principais canais de transmissão dessa realocação global.





