A previdência privada encerrou 2025 com o desempenho mais fraco da última série histórica. Nessa semana, dados da Fenaprevi mostraram que a captação líquida do setor somou apenas R$ 4 bilhões no ano, após uma queda de 93,5% em relação a 2024.
O resultado reflete um ambiente marcado por menor volume de aportes e aumento dos resgates. Enquanto os investidores depositaram R$ 157,1 bilhões ao longo do ano, valor cerca de 20% inferior ao do período anterior, as retiradas cresceram 13,2% e alcançaram R$ 153,2 bilhões.
Previdência privada sob pressão fiscal
A Fenaprevi atribui a desaceleração da previdência privada à cobrança de IOF sobre aportes elevados em planos do tipo VGBL. A alíquota de 5% passou a incidir sobre contribuições mensais acima de R$ 300 mil a partir de junho, por decisão do governo federal.
O efeito foi direto. A captação líquida dos planos VGBL caiu de quase R$ 60 bilhões para pouco mais de R$ 3 bilhões. Além disso, em todos os meses em que o imposto esteve em vigor, o saldo líquido ficou negativo.
A tributação reduziu o estímulo à formação de poupança de longo prazo. Parte relevante desses recursos deixou de ser direcionada à proteção financeira das famílias e não tende a retornar ao sistema.
Dependência do VGBL expõe fragilidade do setor
Os números revelam a concentração da previdência privada em torno do VGBL. Dos 13,7 milhões de planos ativos no país, cerca de 63% pertencem a essa modalidade. Em 2025, ela concentrou 88% de todos os aportes realizados.
Já os planos PGBL responderam por 10% das contribuições, enquanto os produtos tradicionais ficaram com apenas 2%. Essa distribuição amplia a sensibilidade do setor a mudanças regulatórias que afetam um único tipo de plano.
Ao fim do ano, o segmento administrava R$ 1,8 trilhão em ativos, o equivalente a aproximadamente 14% do Produto Interno Bruto. Mais de 11,2 milhões de brasileiros mantêm algum tipo de previdência privada aberta.
Previdência privada e os próximos ajustes
Apesar da reversão parcial do decreto que elevou o IOF, o Supremo Tribunal Federal manteve a tributação sobre aportes elevados no VGBL em 2025 e ampliou o limite para R$ 600 mil em 2026. Esse cenário mantém a previdência privada sob atenção do mercado financeiro.
A combinação entre regras fiscais mais restritivas e mudança no comportamento dos investidores redesenha o papel do setor no financiamento de longo prazo. O desempenho de 2025 indica que a previdência privada segue sensível a decisões tributárias e dependerá de maior previsibilidade regulatória para recuperar tração.





