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Como a Venezuela conseguiu retomar a produção de petróleo mesmo sob sanções

A produção de petróleo na Venezuela voltou a crescer após licenças dos EUA destravarem exportações, liberar estoques e permitir à PDVSA reverter cortes, com destaque para a retomada operacional na Faixa do Orinoco.
Imagem do letreito da PDVSA para ilustrar uma matéria jornalística sobre o Petróleo da Venezuela.
(Imagem: Wilfredor/Wikimedia Commons)

A produção de petróleo da Venezuela voltou a crescer nas últimas semanas, após a PDVSA retomar parte das operações que haviam sido reduzidas no fim de 2025. O avanço ocorre em paralelo a uma recuperação gradual das exportações, impulsionada pelo desbloqueio de estoques e pela reativação de rotas de escoamento.

Segundo pessoas próximas às atividades do setor, a Venezuela já se aproxima novamente da marca de 1 milhão de barris de petróleo por dia. Esse nível vem sendo sustentado principalmente pela reabertura de campos próprios e pela retomada de projetos realizados em parceria com outras empresas.

O papel da Faixa do Orinoco

Um dos motores dessa recuperação tem sido a Faixa do Orinoco, área estratégica para a indústria venezuelana. A região voltou a concentrar grande parte da produção nacional e atualmente responde por pouco mais de 500 mil barris diários, após incrementos registrados em diferentes projetos de extração.

O maior acesso a diluentes — insumo essencial para transportar o petróleo extrapesado extraído no Orinoco, na Venezuela — favoreceu esse crescimento. Com mais disponibilidade desse material e uma logística parcialmente estabilizada, a PDVSA conseguiu elevar o volume produzido sem precisar interromper novamente poços em operação.

Licenças, exportações e tradings internacionais

Outro fator importante para a retomada foi a flexibilização das autorizações concedidas pelo governo dos Estados Unidos. As licenças emitidas pelo Departamento do Tesouro ampliaram a possibilidade de exportação e também permitiram que empresas estrangeiras voltassem a fornecer combustíveis ao país.

Entre as companhias que receberam permissão para operar estão grandes tradings internacionais, como Trafigura e Vitol, que passaram a atuar na comercialização de volumes relevantes no mercado global. As autorizações também ajudaram a liberar petróleo que permanecia retido em tanques e navios. Além disso, permite à PDVSA alinhar a produção à capacidade real de exportação.

Próximos passos do petróleo da Venezuela e as limitações

Apesar do avanço, o cenário ainda depende de variáveis externas. Como membro da Opep e altamente dependente do petróleo para sustentar sua economia, a Venezuela segue sensível a decisões regulatórias e a mudanças no ambiente internacional.

Nos próximos meses, a continuidade desse crescimento deve depender da manutenção das licenças em vigor, da chegada de novas autorizações e da estabilidade no fornecimento de insumos necessários para manter o sistema funcionando. O movimento atual aponta para uma recuperação gradual, ainda limitada por gargalos operacionais e por condicionantes políticos.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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