A produção de petróleo da Venezuela voltou a crescer nas últimas semanas, após a PDVSA retomar parte das operações que haviam sido reduzidas no fim de 2025. O avanço ocorre em paralelo a uma recuperação gradual das exportações, impulsionada pelo desbloqueio de estoques e pela reativação de rotas de escoamento.
Segundo pessoas próximas às atividades do setor, a Venezuela já se aproxima novamente da marca de 1 milhão de barris de petróleo por dia. Esse nível vem sendo sustentado principalmente pela reabertura de campos próprios e pela retomada de projetos realizados em parceria com outras empresas.
O papel da Faixa do Orinoco
Um dos motores dessa recuperação tem sido a Faixa do Orinoco, área estratégica para a indústria venezuelana. A região voltou a concentrar grande parte da produção nacional e atualmente responde por pouco mais de 500 mil barris diários, após incrementos registrados em diferentes projetos de extração.
O maior acesso a diluentes — insumo essencial para transportar o petróleo extrapesado extraído no Orinoco, na Venezuela — favoreceu esse crescimento. Com mais disponibilidade desse material e uma logística parcialmente estabilizada, a PDVSA conseguiu elevar o volume produzido sem precisar interromper novamente poços em operação.
Licenças, exportações e tradings internacionais
Outro fator importante para a retomada foi a flexibilização das autorizações concedidas pelo governo dos Estados Unidos. As licenças emitidas pelo Departamento do Tesouro ampliaram a possibilidade de exportação e também permitiram que empresas estrangeiras voltassem a fornecer combustíveis ao país.
Entre as companhias que receberam permissão para operar estão grandes tradings internacionais, como Trafigura e Vitol, que passaram a atuar na comercialização de volumes relevantes no mercado global. As autorizações também ajudaram a liberar petróleo que permanecia retido em tanques e navios. Além disso, permite à PDVSA alinhar a produção à capacidade real de exportação.
Próximos passos do petróleo da Venezuela e as limitações
Apesar do avanço, o cenário ainda depende de variáveis externas. Como membro da Opep e altamente dependente do petróleo para sustentar sua economia, a Venezuela segue sensível a decisões regulatórias e a mudanças no ambiente internacional.
Nos próximos meses, a continuidade desse crescimento deve depender da manutenção das licenças em vigor, da chegada de novas autorizações e da estabilidade no fornecimento de insumos necessários para manter o sistema funcionando. O movimento atual aponta para uma recuperação gradual, ainda limitada por gargalos operacionais e por condicionantes políticos.





