Anúncio SST SESI

Compra da Warner vira campo de batalha entre Netflix e Paramount

A compra da Warner avança com nova ofensiva da Paramount, que elevou garantias financeiras, pressionou acionistas e ganhou tração em meio ao risco regulatório enfrentado pela Netflix.
Imagem da sede da Warner Bros. para ilustrar uma matéria jornalística sobre a Compra da Warner Bros.
(Imagem: Waldo Miguez/Pixabay)

A compra da Warner teve uma nova atualização nesta terça-feira, dia 10 de fevereiro. A Paramount Skydance mudou sua oferta para ficar no comando da Warner Bros. Discovery. A empresa elevou o grau de previsibilidade financeira da oferta e passou a pressionar diretamente o conselho e os acionistas para que rejeitem o acordo em negociação com a Netflix.

A nova proposta prevê pagamento integral em dinheiro de US$ 30 por ação, além de uma taxa adicional de US$ 0,25 por ação a cada três meses caso a operação não seja concluída após dezembro de 2026. A estratégia busca reduzir incertezas e neutralizar um dos principais argumentos que levaram o conselho da Warner a rejeitar a oferta anterior.

Compra da Warner e o fator previsibilidade

No centro da ofensiva, a Paramount assumiu um compromisso incomum em operações desse porte. A empresa se dispôs a pagar a multa de US$ 2,8 bilhões que a Warner teria de arcar se rompesse o contrato firmado com a Netflix, transferindo o risco financeiro integralmente para si.

Segundo a Paramount, esse desenho oferece maior clareza sobre o valor final da transação. No entendimento da empresa, o acordo com a Netflix traz incertezas, já que o montante pode variar conforme a situação financeira da Warner no momento da separação da unidade Discovery Global. A companhia também afirma ter avançado na obtenção de autorizações regulatórias nos Estados Unidos e na Alemanha.

Disputa pelo controle da Warner Bros. Discovery

A rivalidade entre Paramount Skydance e Netflix começou no fim de 2025, quando a plataforma de streaming apresentou a primeira proposta formal pela Warner Bros. Discovery. Em janeiro, a Netflix avançou com uma oferta avaliada em US$ 82,7 bilhões, pagando US$ 27,75 por ação. Inicialmente estruturada com dinheiro e ações, a proposta foi posteriormente revista para pagamento integral em caixa.

Pouco depois, a Paramount entrou na disputa com uma proposta hostil de US$ 108,4 bilhões. Apesar do valor mais alto, o conselho da Warner considerou a oferta mais arriscada, citando elevado endividamento e menor proteção aos acionistas. Desde então, a Paramount intensificou a pressão, incluindo uma ação judicial para obter mais informações sobre o acordo rival.

Compra da Warner sob escrutínio regulatório

O cenário ganhou outra camada neste mês. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu uma apuração para avaliar se a aquisição da Warner pela Netflix poderia reduzir a concorrência no mercado de streaming. O órgão enviou intimações a empresas do setor para analisar contratos, estratégias e impactos sobre talentos criativos.

A Netflix afirma que o processo segue o rito normal de análise e nega qualquer acusação formal. Ainda assim, o ambiente regulatório aumenta risco à operação e fortalece o discurso da Paramount junto aos acionistas, especialmente diante do valor estratégico do catálogo da Warner, que reúne franquias como Harry Potter, DC Comics e Game of Thrones.

Por fim, no radar do mercado, a compra da Warner deixou de ser apenas uma negociação financeira e passou a refletir escolhas de governança, apetite por risco e posicionamento competitivo no streaming. A decisão final tende a redefinir o equilíbrio de forças entre os grandes grupos globais de mídia.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

Mais lidas

Últimas notícias

Entrar no canal Canal do Economic News Brasil no WhatsApp