Os resultados da Suzano divulgados na terça-feira (11) mostram um quarto trimestre marcado por pressão operacional e decisões estratégicas voltadas à preservação de caixa. A companhia apurou Ebitda ajustado de R$ 5,58 bilhões entre outubro e dezembro, recuo anual de 14%, em linha com as expectativas compiladas pela LSEG.
Apesar da retração no resultado operacional, os resultados da Suzano indicam execução consistente diante de um ambiente menos favorável para a celulose. A empresa manteve controle rigoroso de custos e entregou números próximos ao consenso de mercado, mesmo com queda nos preços e impacto cambial negativo.
Os resultados da Suzano e desempenho operacional
A receita líquida somou R$ 13,1 bilhões no trimestre, baixa de 8% na comparação anual, mas acima das projeções médias de R$ 12,5 bilhões. O volume vendido alcançou 3,4 milhões de toneladas, alta de cerca de 4%, compensando parcialmente a redução de 8% no preço médio líquido da celulose.
Segundo a companhia, a combinação de preço internacional da celulose mais baixo e valorização do real em relação ao dólar afetou o Ebitda. Ainda assim, a Suzano conseguiu avançar em eficiência industrial, reforçando sua posição como referência em gestão de custos, escala produtiva e disciplina financeira no setor de papel e celulose.
Eficiência, custos e leitura do ciclo
O custo caixa de produção de celulose, sem considerar paradas de manutenção, caiu 3,6% no trimestre, para R$ 778 por tonelada. Com paradas, o indicador ficou em R$ 809 por tonelada, redução anual de 8% e o menor patamar desde o fim de 2021.
Esse desempenho operacional reflete ganhos em produtividade florestal, controle industrial e otimização logística, fatores que ajudaram a amenizar o efeito adverso do câmbio e do mercado externo. A Suzano também reverteu prejuízo bilionário do ano anterior, registrando lucro líquido de R$ 116 milhões, apoiado por efeitos cambiais no resultado financeiro.
Suzano na alocação de capital
Dentro dos resultados da Suzano, a empresa reforçou a estratégia de manter a produção de celulose de mercado cerca de 3,5% abaixo da capacidade nominal em 2025. A decisão, segundo a administração, considera que o volume marginal não entrega retorno adequado no cenário atual.
Paralelamente, a Suzano anunciou programa de recompra de ações de até 6,5% dos papéis em circulação, limitado a 40 milhões de ações, sinalizando foco em alocação de capital, retorno ao acionista e equilíbrio financeiro, mesmo com a alavancagem encerrando dezembro em 3,2 vezes em dólares.





