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Calote no Banco do Brasil envolve R$ 3,6 bi e mexe com o mercado

O calote no Banco do Brasil de R$ 3,6 bilhões elevou a inadimplência a 5,17% no 4T25 e pressionou o lucro de 2025. Banco projeta recuperação em 2026, enquanto mercado avalia riscos na carteira.
Imagem da fachada de uma agência do Banco do Brasil para ilustrar uma matéria jornalística sobre o Calote no Banco no Brasil.
(Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O calote no Banco do Brasil foi o principal fator por trás da alta da inadimplência no quarto trimestre de 2025. Na quarta-feira (11), o banco revelou que uma empresa do segmento atacado deixou de honrar R$ 3,6 bilhões em compromissos, impactando diretamente os indicadores de risco da instituição.

Com isso, o índice de inadimplência acima de 90 dias subiu para 5,17%, ante 4,51% no terceiro trimestre e 3,16% um ano antes. Segundo o Banco do Brasil, sem esse evento específico, o indicador ficaria em 4,88%, o que mostra o peso concentrado da operação na carteira de Títulos e Valores Mobiliários.

Calote no Banco do Brasil e pressão na carteira

O episódio ocorreu dentro da carteira de mercado de capitais e atingiu uma empresa do atacado, cuja identidade não foi divulgada. De acordo com o balanço, o avanço da inadimplência reflete esse caso isolado, embora outros segmentos também tenham mostrado deterioração.

No agronegócio, a inadimplência acima de 90 dias alcançou 6,09%, contra 4,84% no trimestre anterior e 2,23% um ano antes. Já na pessoa física, o índice chegou a 6,56%. Entre empresas, ficou em 3,75%. Esses números funcionam como termômetro da qualidade da carteira de crédito, indicando aumento no risco de perdas.

Lucro do BB cai, mas supera estimativas

Apesar do impacto do calote, o Banco do Brasil registrou lucro líquido ajustado de R$ 5,7 bilhões no 4T25. O resultado representa queda de 40,1% na comparação anual, mas avanço de 51,7% frente ao trimestre anterior e superou a projeção de R$ 4,5 bilhões compilada pela LSEG.

No acumulado de 2025, o lucro somou R$ 20,7 bilhões, recuo de 45,4% sobre 2024. O banco revisou suas estimativas ao longo do ano, após suspender o guidance inicial. Segundo a presidente-executiva, Tarciana Medeiros, “nossos resultados indicam que estamos dando os sinais da inflexão”.

O retorno sobre patrimônio líquido (ROE) voltou aos dois dígitos, em 12,4%, acima dos 8,4% do trimestre anterior, embora abaixo dos níveis observados nos grandes bancos privados. A margem financeira bruta cresceu 3,8%, enquanto as receitas de serviços recuaram 3,9%.

Projeções do Banco do Brasil para 2026

Para 2026, o banco projeta lucro entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, além de expansão de até 4,5% na carteira de crédito. O custo do crédito deve ficar entre R$ 53 bilhões e R$ 58 bilhões, sinalizando manutenção de provisões elevadas.

O calote no Banco do Brasil ocorre em um momento de transição na carteira, após um ano marcado por pressão no agro e mudanças contábeis. Embora o índice de capital nível 1 tenha subido para 14,26% e o índice de Basileia tenha atingido 15,13%, o desafio agora é recompor rentabilidade sem ampliar o risco.

Se a trajetória projetada se confirmar, o episódio tende a ser tratado como evento concentrado. Caso contrário, o mercado poderá reavaliar a leitura sobre a qualidade estrutural do crédito do banco público.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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