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Governo revisa resultado primário das estatais para 2026

O resultado primário estatais 2026 foi revisado após retificação do decreto orçamentário. Mudanças em projeções individuais, exclusões na LDO e o caso dos Correios moldam a estratégia fiscal do governo.
Correios, uma das estatais cujo resultado primário das estatais em 2026 foi revista pelo governo
Decreto de programação orçamentária revisa projeções fiscais de Correios e outras estatais para 2026. (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado.)

O resultado primário das estatais em 2026 foi revisto pelo Ministério da Fazenda na noite de sexta-feira (13/02), após a pasta publicar uma retificação no decreto de programação orçamentária divulgado um dia antes. A correção alterou projeções individuais de diversas empresas federais.

Segundo o decreto original, publicado na quinta-feira (12/02), o governo estima um déficit primário de R$ 1,074 bilhão para o conjunto das estatais no próximo ano. A meta fixada para o setor limita o saldo negativo a R$ 6,752 bilhões.

Resultado primário estatais 2026 e as mudanças empresa a empresa

A retificação promoveu ajustes relevantes nas estimativas individuais. Entre os casos mais expressivos:

  • Emgepron: déficit caiu de R$ 17,797 bilhões para R$ 3,102 bilhões
  • Hemobrás: de R$ 8,591 bilhões para R$ 967 milhões
  • Infraero: de R$ 4,360 bilhões para R$ 655 milhões
  • Serpro: passou de déficit de R$ 3,564 bilhões para superávit de R$ 285 milhões
  • Autoridade Portuária de Santos (APS): de R$ 2,421 bilhões para R$ 570 milhões
  • Companhia Docas do Pará: de R$ 2,106 bilhões para R$ 313 milhões

Já os Correios tiveram resultado primário negativo, com projeção de déficit da estatal ampliada de R$ 8,261 bilhões para R$ 9,101 bilhões em 2026. Além disso, a Emgea, ausente na versão anterior, passou a constar com déficit estimado em R$ 649 milhões.

Meta fiscal das estatais e exclusões previstas

O cumprimento da meta do setor depende de exclusões autorizadas pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). A norma permite retirar do cálculo até R$ 10 bilhões em despesas de estatais com plano de reequilíbrio econômico-financeiro.

Essa cláusula foi incluída por iniciativa do governo diante da situação dos Correios. No ano passado, a empresa contratou empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia da União. Até o fim de 2025, R$ 10 bilhões haviam sido pagos. Segundo o decreto, a estatal deve encerrar 2026 com déficit primário de R$ 9,101 bilhões.

Sem a exclusão dessas despesas, o déficit consolidado das estatais alcançaria R$ 11,074 bilhões, conforme projeção oficial. Nesse cenário, o Executivo teria de compensar o desequilíbrio via Orçamento fiscal, reduzindo espaço para outras despesas públicas.

Além disso, o governo exclui da meta gastos vinculados ao Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), estimados em R$ 4,234 bilhões para 2026.

Resultado primário estatais 2026 no acumulado do ano

A expectativa oficial indica saldo positivo ao longo do exercício. De janeiro a abril, o resultado primário das estatais pode alcançar superávit de R$ 5,973 bilhões, considerando as despesas não contabilizadas para fins de meta.

No acumulado de janeiro a agosto, a projeção sobe para R$ 8,139 bilhões. O desempenho parcial reforça a estratégia do governo de manter o equilíbrio fiscal do setor dentro dos limites fixados na LDO.

Ao revisar o resultado primário estatais 2026, o governo ajusta números que afetam diretamente o planejamento orçamentário, o cumprimento da meta fiscal, o espaço no Orçamento da União e a trajetória das contas públicas. A consistência dessas projeções será determinante para a credibilidade da política fiscal ao longo do ano.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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