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Ações de tecnologia dos EUA disparam e escondem risco estrutural

Ações de tecnologia dos EUA avançam com força após balanço da Nvidia e reprecificação do setor de IA. Mercado testa se o ciclo de investimentos bilionários em infraestrutura tecnológica entregará retorno sustentável.
Ações de tecnologia dos EUA sobem na Nasdaq impulsionadas por IA
Papéis ligados a chips e software lideraram a alta em Wall Street após resultados da Nvidia. Imagem: Canva

Ações de tecnologia dos EUA puxaram Wall Street ao maior nível em duas semanas, com o Nasdaq avançando 1,26% e liderando os ganhos do dia. O rali foi impulsionado por semicondutores, software e empresas ligadas à infraestrutura de IA, enquanto o Dow Jones subiu 0,63% e o S&P 500 avançou 0,81%.

O gatilho imediato veio da Nvidia. A fabricante de chips para inteligência artificial reportou receita de R$ 68,13 bilhões no quarto trimestre, acima das estimativas. No after market, as ações avançaram cerca de 3%, reforçando a leitura de que o ciclo de investimentos em data centers segue ativo. A sessão, porém, expõe uma disputa mais profunda sobre risco e retorno.

A Nvidia valida o ciclo mas a conta ainda está aberta

O índice Philadelphia de semicondutores subiu 1,6% antes da divulgação dos números, antecipando a força do balanço. Já o segmento de software e serviços do S&P 500 saltou 2,9%, após acumular queda de 23% no ano. O mercado ensaia reprecificação de empresas ligadas à automação, computação em nuvem e processamento gráfico.

Ainda assim, a volatilidade recente não desapareceu. O mês foi marcado por dúvidas sobre o volume de capex em IA, os custos de infraestrutura e a capacidade de monetização. Para além do entusiasmo, persiste o debate sobre a sustentabilidade dos múltiplos elevados.

Risco estrutural divide investidores

“Acho que as preocupações com perturbações (da IA) são mais agudas agora do que as preocupações com o retorno sobre o investimento”, afirmou Zach Hill, chefe de gestão de portfólio da Horizon Investments. Segundo ele, investidores tentam avaliar um possível risco estrutural, acima da simples frustração com lucros trimestrais.

O contraste setorial reforça a seletividade. Entre os 11 segmentos do S&P 500, tecnologia liderou ganhos, enquanto o setor industrial registrou as principais perdas. A rotação indica preferência por empresas expostas à economia digital, inteligência artificial generativa e arquitetura de chips avançados.

No curto prazo, as ações de tecnologia dos EUA se beneficiam da expectativa de ganhos de produtividade e expansão de margens. No médio prazo, contudo, o mercado precisará confirmar que o ciclo bilionário de investimentos em infraestrutura computacional, servidores de alto desempenho e redes de dados produzirá retorno proporcional. Se isso não ocorrer, a euforia pode rapidamente dar lugar a uma nova rodada de ajustes.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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