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Em meio à crise do Master, aumento de capital do BRB pode chegar a R$ 8,86 bi

O aumento de capital do BRB pode chegar a R$ 8,86 bilhões e será votado em março. A operação ocorre após o caso Master e pode exigir aporte bilionário do GDF para evitar diluição e preservar o controle acionário do banco. Saiba mais.
Foto da sede do BRB ilustrando aumento de capital do BRB pode chegar a R$ 8,86 bilhões
Assembleia em março decidirá sobre o aumento de capital do BRB que pode elevar o capital social para até R$ 11,2 bilhões. (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

O aumento de capital do BRB pode alcançar até R$ 8,86 bilhões, conforme proposta divulgada na noite dessa quarta-feira (25/02) e que será votada em 18 de março (18/03). O plano de aumento ocorre enquanto o banco ainda administra os desdobramentos do caso Banco Master, liquidado no ano passado.

A operação prevê a emissão de até 1,675 bilhão de ações ordinárias ao preço de R$ 5,29. O valor mínimo estipulado é de R$ 529 milhões. Caso atinja o teto, o capital social poderá saltar dos atuais R$ 2,34 bilhões para até R$ 11,2 bilhões.

Estrutura do aumento de capital do BRB

O aumento de capital do BRB será realizado por meio de subscrição privada, com respeito ao direito de preferência dos atuais acionistas. Isso significa que apenas quem já integra a base societária poderá participar, salvo cessão desse direito.

Segundo a administração, a medida busca fortalecer o Patrimônio de Referência (PR) após alteração no perímetro prudencial, que elevou os ativos ponderados pelo risco (RWA). O banco afirma que pretende preservar o índice de Basileia, reduzir a alavancagem prudencial e manter os índices de capitalização regulamentares dentro dos parâmetros exigidos.

A homologação do volume efetivamente subscrito ocorrerá após o encerramento do período de adesão.

Capitalização do banco e incerteza sobre o aporte do GDF

O Governo do Distrito Federal (GDF) detém 53,705% do capital do BRB. Para manter essa participação em caso de subscrição máxima, precisaria aportar cerca de R$ 4,758 bilhões. Para preservar o controle acima de 50% das ações ordinárias, o montante estimado sobe para aproximadamente R$ 5,277 bilhões.

Entretanto, a proposta de aumento de capital do BRB submetida à assembleia não traz compromisso financeiro explícito do controlador. O documento menciona apenas projeto de lei que autoriza medidas para fortalecer as condições econômico-financeiras da instituição.

O GDF atualizou texto enviado à Câmara Legislativa prevendo a possibilidade de operações de crédito com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ou instituições financeiras até R$ 6,6 bilhões. O projeto, porém, não vincula diretamente esses recursos à capitalização do banco.

Caso o controlador não exerça plenamente o direito de preferência, a diluição pode alcançar até 83,95% nas ações ordinárias e 77,50% no conjunto total de papéis.

Aumento de capital do BRB após o caso Master

O anúncio ocorre meses depois de o BRB ter apresentado proposta para aquisição do Banco Master, posteriormente vetada pelo Banco Central. A instituição acabou liquidada em novembro de 2025, após a deflagração da operação Compliance Zero.

As investigações relacionadas ao Master apuram suspeitas de esquema que poderia ter provocado prejuízos superiores a R$ 10 bilhões ao BRB. O episódio elevou questionamentos sobre governança corporativa, gestão de risco, supervisão prudencial e exposição a contrapartes.

Entre os demais acionistas relevantes estão o Iprev-DF (12,334%), a Anea-BRB (8,921%), a Mastercard (6,920%) e o fundo Borneo (3,164%), percentuais que representam a participação de cada um no capital social do banco. A Mastercard já indicou intenção de alienar sua participação, segundo informações públicas.

Leitura ampliada

Nesse cenário, o aumento de capital do BRB assume papel central para recompor o patrimônio líquido, ajustar o nível de alavancagem, fortalecer a estrutura de capital e sinalizar aderência às exigências do regulador. O desfecho da assembleia poderá redefinir o equilíbrio societário e o posicionamento estratégico do banco no sistema financeiro.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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