As ações da Petrobras (PETRA3/PETR4) subiram até 5,59% nesta segunda-feira (02/03), após a escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã elevar o preço internacional do petróleo. Na máxima do pregão, os papéis preferenciais chegaram a R$ 41,53, refletindo a reprecificação do risco geopolítico no setor de energia.
Por volta das 13h44, as preferenciais eram negociadas a R$ 40,95, alta de 4,09%. O avanço ocorreu em sintonia com o salto do Brent, referência global, que disparou até 13% na abertura de domingo (1º), alcançando US$ 81,89. Portanto, o maior patamar intradiário desde 22 de junho de 2025.
Ações da Petrobras acompanham disparada do Brent
O mercado passou a embutir um prêmio geopolítico nas cotações internacionais, diante do temor de restrições na oferta global. Segundo relatório do BTG Pactual, que reportou lucro recorde no último trimestre, a redução no tráfego marítimo, o aumento do custo de seguro naval e o maior risco de navegação comprimem a oferta disponível no curto prazo.
Para Adam Hetts, diretor global de multiativos da Janus Henderson, o foco está no Estreito de Hormuz. “O Estreito de Hormuz é um gargalo no transporte de petróleo no Oriente Médio, por onde passa aproximadamente 20% do suprimento mundial”, afirmou. A relevância logística da rota amplia a sensibilidade do mercado a qualquer instabilidade regional.
Petroleiras brasileiras avançam com tensão internacional
O desempenho das ações da Petrobras não ficou restrito aos papéis da estatal. A Prio registrou alta de até 6,68%, enquanto a Brava Energia avançou 4,98% nas máximas do dia, indicando leitura setorial por parte dos investidores. Quando o barril sobe, o mercado revisa expectativas de receita de exportação, fluxo de caixa e potencial de dividendos.
Além disso, dados de tráfego marítimo mostram que mais de 200 navios, incluindo petroleiros e embarcações de gás natural liquefeito (GNL), permaneceram ancorados nas imediações do Estreito de Ormuz nas 24 horas após os ataques. O quadro adiciona pressão sobre a cadeia de suprimentos energética.
Ações da Petrobras e o risco no Estreito de Hormuz
Embora ainda não haja interrupção formal das rotas, o risco de bloqueio parcial da passagem sustenta o avanço das ações da Petrobras e de outras companhias do setor de óleo e gás. A duração do conflito, conforme destacou o BTG, será determinante para a magnitude dos efeitos sobre o preço do barril.
Se o Brent permanecer acima da faixa recente, o mercado tende a revisar projeções para empresas exportadoras brasileiras. Por outro lado, um petróleo mais caro reacende discussões sobre inflação global, custos logísticos e política de combustíveis.
No curto prazo, as ações da Petrobras operam como termômetro da tensão geopolítica. A dinâmica internacional do petróleo passou a ditar o ritmo do pregão, e a volatilidade deve persistir enquanto o Estreito de Hormuz seguir sob risco estratégico.





