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Exportações de veículos recuam e expõem dependência da Argentina

As exportações de veículos do Brasil caíram 28% no primeiro bimestre de 2026. A retração reflete menor demanda da Argentina, enquanto México e Chile ampliam compras no mercado automotivo regional.
Imagem de veículos para ilustrar uma matéria jornalística sobre a Exportações de veículos
A exportações de veículos para a Argentina caiu nos primeiros meses de 2026. (Imagem: Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil)

As exportações de veículos do Brasil iniciaram o ano de 2026 em retração. Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), os embarques no primeiro bimestre somaram 59,4 mil unidades, ante 82,4 mil no mesmo período de 2025, uma redução de 28% no volume destinado ao mercado externo.

A desaceleração ocorre após um ano de forte expansão das vendas internacionais. Em 2025, o país havia enviado 528 mil veículos ao exterior, resultado sustentado sobretudo pela demanda da Argentina, principal destino dos automóveis produzidos nas fábricas instaladas no Brasil.

Exportações de veículos e dependência do mercado argentino

A retração recente está ligada principalmente à perda de ritmo do mercado argentino. No primeiro bimestre de 2026, os embarques brasileiros para o país vizinho recuaram de 15,6 mil para 14,4 mil unidades, refletindo o enfraquecimento do mercado automotivo argentino.

Além disso, os emplacamentos de veículos na Argentina apresentaram forte redução no início do ano. Em fevereiro, as vendas locais caíram 37% em relação a janeiro, cenário associado às incertezas econômicas que acompanham as reformas em andamento no país.

Outros mercados, porém, mostraram crescimento relevante. As exportações para o México avançaram 318%, passando de 2,2 mil para 9,1 mil veículos entre janeiro e fevereiro. O Chile também ampliou a demanda, com aumento de 34,1% nos embarques, que chegaram a 2,2 mil unidades.

Mercado automotivo interno mantém ritmo

Enquanto o comércio exterior perdeu força, o mercado automotivo brasileiro manteve estabilidade no início do ano. As vendas domésticas somaram 355,7 mil veículos no primeiro bimestre, praticamente no mesmo nível do registrado em 2025.

Dentro desse total, o segmento de automóveis e comerciais leves cresceu 1,8%, atingindo 340,1 mil unidades. Por outro lado, os veículos pesados, que incluem caminhões e ônibus, registraram queda de 29,4%, com 15,6 mil unidades vendidas.

Mesmo assim, fevereiro apresentou uma média diária de vendas de 10,3 mil veículos, a segunda melhor marca dos últimos dez anos. Já a produção industrial alcançou 338 mil unidades no bimestre, volume 8,9% menor que o observado no mesmo período do ano anterior.

Exportações de veículos diante de juros e cenário global

Outro fator que pesa sobre o setor é o ambiente de juros elevados no Brasil. A taxa básica de juros influencia diretamente o custo do crédito automotivo, afetando principalmente o financiamento de veículos comerciais pesados.

Ao mesmo tempo, a indústria acompanha os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre a cadeia global de suprimentos. A escalada do conflito tem impacto potencial sobre o preço internacional do petróleo, além de possíveis pressões logísticas no transporte de componentes e matérias-primas.

Nesse cenário, as exportações de veículos entram em 2026 sob forte dependência da recuperação da demanda externa e das condições macroeconômicas. O desempenho ao longo do ano deverá indicar se novos mercados conseguirão compensar a desaceleração observada no principal parceiro regional.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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