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Queda da patente do Ozempic abre mercado bilionário, mas preço deve cair lentamente

A queda da patente do Ozempic ocorre em 20 de março no Brasil e abre espaço para concorrentes da semaglutida. Porém, entraves regulatórios e industriais devem retardar a redução de preços das canetas emagrecedoras no curto prazo.

A queda da patente do Ozempic ocorre no Brasil no próximo dia 20 de março, abrindo caminho para a entrada de concorrentes no mercado das chamadas canetas emagrecedoras. Apesar da expectativa dos consumidores por preços mais baixos, analistas e executivos do setor avaliam que a redução não deve acontecer imediatamente.

Isso porque o fim da proteção da semaglutida, princípio ativo do medicamento, não significa que novos produtos estarão disponíveis nas farmácias de forma automática. Entraves regulatórios, prazos industriais e a própria estratégia das farmacêuticas devem limitar a concorrência no curto prazo, mantendo os valores próximos aos atuais.

Patente do Ozempic e os entraves regulatórios

Um dos principais fatores que retardam a concorrência é o processo de aprovação sanitária. Conforme publicado pela BBC Brasil, atualmente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) analisa 14 pedidos para produção de semaglutida no país.

Segundo a agência, serão concedidas no máximo três autorizações por semestre, o que pode estender o processo até 2028. Mesmo após a liberação do registro, as empresas estimam cerca de 90 dias para colocar o medicamento no mercado.

A EMS, maior farmacêutica brasileira, afirma que só iniciará a produção após a aprovação regulatória.

“Só faremos qualquer produção após sair o registro. Podemos nos antecipar, mas apenas com a compra de matéria-prima”, disse Marcus Sanchez, vice-presidente da companhia.

De acordo com o executivo, medicamentos menos complexos poderiam chegar ao mercado em até 45 dias após a queda da patente, mas a semaglutida exige um ciclo produtivo maior.

“A gente acredita que em menos de 90 dias não é possível”, afirmou.

Impacto nos preços com a baixa da patente do Ozempic

Hoje, a caneta do Ozempic é vendida por cerca de R$ 1.299,70 no preço de tabela. Em algumas farmácias, o produto pode ser encontrado por aproximadamente R$ 999, resultado de descontos concedidos pelo laboratório.

As primeiras versões brasileiras, porém, não devem ser classificadas como genéricos, mas como medicamentos similares. Isso faz diferença no preço final. Enquanto os genéricos precisam oferecer desconto mínimo de 35%, os similares costumam ter redução próxima de 20%.

Nesse cenário, as novas canetas poderiam chegar às farmácias por cerca de R$ 1.039,76, valor ainda relativamente próximo ao praticado atualmente.

Além disso, o preço inicial dependerá também da estratégia da própria fabricante do medicamento. A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, responsável pelo Ozempic, pode ampliar descontos para manter sua participação no mercado.

Concorrência deve crescer gradualmente

A queda da patente do Ozempic ocorre em um momento de forte expansão desse segmento. O mercado das canetas emagrecedoras movimentou cerca de R$ 12 bilhões no Brasil no último ano, impulsionado pelo crescimento dos tratamentos para obesidade e controle de peso.

Segundo estudo do Itaú BBA, a redução de preços deve ocorrer de forma progressiva. No curto prazo, a queda pode chegar a 30%, enquanto a projeção para os próximos anos indica uma redução de até 50%.

“Esse é um cálculo feito com base nas conversas que a gente teve com as farmacêuticas”, explicou Rodrigo Gastim, especialista em consumo do Itaú BBA.

De acordo com ele, a competição tende a aumentar apenas quando mais laboratórios estiverem produzindo a substância. Nesse cenário, as canetas poderiam custar cerca de R$ 900.

Estratégia da Novo Nordisk no Brasil

A fabricante do Ozempic também prepara uma resposta para a nova fase do mercado. O Brasil é hoje o oitavo maior mercado global da Novo Nordisk, o que levou a companhia a anunciar planos de produção das canetas em Minas Gerais, substituindo as unidades atualmente importadas.

Ao mesmo tempo, a farmacêutica ainda avalia recorrer da decisão judicial que negou a extensão da patente do medicamento. Após derrotas no Superior Tribunal de Justiça (STJ), a discussão poderia chegar ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Especialistas consultados consideram pouco provável que a tese prospere, já que uma mudança poderia afetar a própria legislação de patentes no país.

Expiração da patente da semaglutida e o que muda no mercado

Na prática, a queda da patente do Ozempic inaugura uma nova fase no mercado farmacêutico brasileiro, mas sem provocar um choque imediato de preços.

O ritmo de aprovações da Anvisa, o tipo de medicamento que deve chegar primeiro ao mercado e a estratégia da empresa líder indicam que a concorrência será construída gradualmente. Se o cenário projetado pelos analistas se confirmar, a redução mais expressiva de preços deve ocorrer apenas com a entrada de um número maior de fabricantes nos próximos anos.

Nota: Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação de profissionais de saúde. Em caso de dúvidas ou sintomas, procure um médico ou profissional habilitado.

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Jackson Pereira Jr

Jackson Pereira Jr. é jornalista e empreendedor, fundador do Sistema BNTI de Comunicação e dos portais Economic News Brasil, Boa Notícia Brasil e J1 News Brasil.

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