A Rio Tinto estruturou um pacote de financiamento de quase US$ 1,2 bilhão para avançar no desenvolvimento do projeto de lítio Rincon, localizado na Província de Salta, na Argentina. O capital integra a estratégia da mineradora de ampliar presença na cadeia global de baterias recarregáveis e no fornecimento de minerais estratégicos para veículos elétricos.
O financiamento será aplicado no projeto Rincon, que prevê investimento total estimado em US$ 2,5 bilhões e capacidade anual de aproximadamente 60 mil toneladas de carbonato de lítio grau bateria. O mineral tornou-se um insumo central para a indústria de veículos elétricos, sistemas de armazenamento de energia e dispositivos eletrônicos.
Rio Tinto amplia financiamento para projeto na Argentina
O pacote financeiro foi estruturado com quatro instituições internacionais: International Finance Corporation (IFC), IDB Invest, Export Finance Australia e Japan Bank for International Cooperation (JBIC). A operação amplia as fontes de capital do empreendimento e sustenta a etapa atual de desenvolvimento da mina.
Segundo Jerome Pecresse, CEO da divisão de alumínio e lítio da Rio Tinto, a estrutura de financiamento reforça a base financeira do projeto. De acordo com o executivo, a iniciativa acompanha a perspectiva de expansão da demanda por matérias-primas da transição energética.
Além do financiamento, as obras de infraestrutura do projeto já estão em andamento. A construção começou no ano passado e inclui expansão de acampamentos operacionais e desenvolvimento das estruturas industriais necessárias para a produção do mineral.
Mineradora expande presença no mercado de lítio
A previsão da mineradora é iniciar a produção comercial do projeto em 2028. Após a entrada em operação, a empresa estima um período de cerca de três anos até atingir a capacidade plena de produção.
O projeto também possui horizonte operacional de longo prazo. A Rio Tinto estima que a mina tenha vida útil aproximada de 40 anos, o que posiciona o ativo como uma das principais apostas da companhia na cadeia global de lítio.
A iniciativa integra uma estratégia mais ampla da companhia para diversificar sua carteira de minerais usados em tecnologias de energia limpa. No ano passado, a empresa também concluiu a aquisição da Arcadium Lithium por cerca de US$ 6,7 bilhões, reforçando sua presença no setor.
Rio Tinto e a corrida global por minerais da transição energética
O avanço do projeto ocorre em um contexto de forte disputa internacional por minerais associados à eletrificação da economia. O lítio tornou-se um dos insumos mais demandados para baterias de alta densidade energética, utilizadas tanto em mobilidade elétrica quanto em infraestruturas de armazenamento energético.
Grande parte das reservas globais está concentrada no chamado triângulo do lítio, formado por Argentina, Chile e Bolívia, além de grandes minas na Austrália. Nesse cenário, a Rio Tinto busca consolidar presença em regiões consideradas estratégicas para garantir oferta futura do mineral.
Com projetos em desenvolvimento e aquisições recentes no setor, a mineradora sinaliza que pretende ampliar seu papel na cadeia global de minerais críticos, em um mercado que tende a ganhar peso conforme avança a eletrificação da indústria e dos transportes.



