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Casas Bahia registra prejuízo de R$ 1,5 bi, mas balanço mostra outro cenário

O prejuízo bilionário das Casas Bahia no quarto trimestre foi provocado por provisão fiscal, enquanto indicadores operacionais mostraram crescimento de vendas, avanço de margens e forte redução da dívida da varejista.
Imagem de uma loja das Casas Bahia para ilustrar uma matéria jornalística sobre o prejuízo bilionário das Casas Bahia.
Casas Bahia tem prejuízo bilionário no 4º trimestre de 2025. (Imagem: divulgação/Shopping Metrô Itaquera)

Na quinta-feira (12), a divulgação do balanço das Casas Bahia foi dominada pelo prejuízo, com a varejista anunciando uma perda líquida de R$ 1,529 bilhão no quarto trimestre. O número foi provocado sobretudo por uma provisão de Imposto de Renda diferido de R$ 1,45 bilhão, registrada após testes de estresse ligados ao ambiente macroeconômico.

Segundo o diretor financeiro Elcio Ito, a companhia decidiu contabilizar o ajuste por cautela diante de possíveis cenários de inflação elevada, juros persistentes e riscos externos. O executivo afirmou à Reuters que a provisão não gera efeito caixa nem altera o resultado econômico do negócio, sendo apenas uma decisão contábil voltada a cenários adversos.

Casas Bahia: prejuízo e o efeito da provisão fiscal

Sem o ajuste tributário, a Casas Bahia teria apresentado um resultado bem diferente. Excluindo a provisão, o prejuízo das Casas Bahia cairia para R$ 79 milhões. O valor é inferior à perda de R$ 452 milhões registrada no mesmo período do ano anterior.

Mesmo com o impacto contábil, os indicadores operacionais mostraram melhora. O Ebitda ajustado chegou a R$ 826 milhões, alta de 29,1%, enquanto a margem nessa métrica avançou para 9,8%. A margem bruta também subiu, atingindo 31,5%.

Além disso, a empresa registrou crescimento nas vendas. A receita líquida atingiu R$ 8,47 bilhões, avanço de 6,1%, enquanto o GMV consolidado chegou a R$ 13,1 bilhões, impulsionado principalmente pelo e-commerce, que expandiu 21,7%.

Redução do endividamento da varejista

Outro ponto relevante do trimestre foi a mudança no perfil financeiro da companhia. Após concluir a reestruturação da dívida no fim de 2025, a varejista reduziu a dívida líquida ajustada de R$ 4,48 bilhões para R$ 1,13 bilhão.

Com isso, a alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, caiu de 1,9 vez para 0,4 vez. Segundo Ito, a redução representa um reposicionamento do balanço da empresa.

O executivo afirmou que a queda de 75% da dívida líquida entre o terceiro e o quarto trimestres foi “um passo absolutamente fundamental e decisivo para colocar a companhia em um novo balanço daqui para frente”, acrescentando que a empresa mantém consistência na entrega de resultados operacionais.

O prejuízo trimestral das Casas Bahia e apostas para 2026

Apesar do cenário de juros elevados, a companhia vê alguns fatores que podem favorecer o consumo ao longo de 2026. Entre eles, a proposta de isenção de Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil. Além disso, a Copa do Mundo e o período eleitoral, que tem historicamente eleva a atividade econômica.

Segundo Ito, esses eventos podem gerar renda adicional e ampliar o fluxo de compras no varejo. Ele afirmou que existem “vários temas potencialmente favoráveis para a companhia ao longo do ano”.

Paralelamente, a empresa pretende ampliar o peso do crediário nas vendas. A carteira de financiamento ao consumidor chegou a R$ 6,6 bilhões. É um rescimento anual de 7%, com inadimplência acima de 90 dias em 8,6%. O prejuízo das Casas Bahia, portanto, surge em meio a um balanço que combina ajuste contábil, melhora operacional e uma estratégia de crédito que busca estimular vendas sem ampliar excessivamente o risco financeiro.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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