Feira da Indústria FIEC revelou, em um único painel empresarial, como grandes grupos industriais estão redesenhando suas estratégias diante de um ambiente global marcado por pressões geopolíticas, transformação tecnológica e mudanças nas cadeias produtivas. Executivos de ArcelorMittal, M. Dias Branco, Aeris Energy e Grupo Edson Queiroz defenderam que a indústria brasileira precisa combinar capital humano, inovação operacional e governança corporativa para sustentar sua competitividade.
O debate ocorreu no espaço FIEC Connect e reuniu lideranças que comandam operações industriais relevantes no Nordeste. Logo no início da conversa, os executivos apontaram um elemento comum nas decisões de investimento: a capacidade de formar profissionais qualificados. Para Erick Torres, CEO da ArcelorMittal no Ceará, o estado reúne engenheiros, técnicos e lideranças preparados para sustentar operações industriais competitivas. A discussão, porém, revela um fator adicional que redefine as estratégias industriais.
Capital humano e logística redefinem decisões industriais
Segundo os participantes, a combinação entre qualificação profissional, infraestrutura logística e energia renovável ajuda a explicar por que o Ceará se consolidou como base industrial relevante no Nordeste. A proximidade com o Porto do Pecém e a expansão da energia eólica ampliam a capacidade de integração com mercados internacionais.
Sidney Leite dos Santos, vice-presidente de Supply Chain da M. Dias Branco, afirmou que o ambiente institucional construído ao longo de décadas favorece o investimento produtivo. Para ele, a articulação entre empresas, instituições e políticas industriais fortalece a produtividade, a eficiência operacional e o ambiente de negócios. Mas o debate avançou para outro campo que vem redesenhando o papel das empresas.
Licença social e inovação ampliam o papel das empresas
Durante o painel da Feira da Indústria FIEC, os executivos defenderam que o desempenho corporativo hoje depende também da relação com a sociedade. Erick Torres afirmou que, além da licença legal para operar, as companhias precisam construir uma licença social, baseada em geração de oportunidades, educação e qualidade de vida nas regiões onde atuam.
Na Aeris Energy, explicou o CEO Xandy Negrão, a formação de trabalhadores locais e o apoio a iniciativas educacionais caminham junto com a expansão industrial. Já Carlos Rotella, presidente executivo do Grupo Edson Queiroz, ressaltou que a inovação pode surgir tanto de novas tecnologias quanto de soluções aplicadas diretamente aos produtos, ampliando a experiência do consumidor.
Geopolítica e regulação desafiam estratégias industriais
Outro tema recorrente no encontro foi o impacto das tensões internacionais sobre a indústria. Erick Torres lembrou que mudanças em políticas comerciais, regras de origem de matérias-primas ou investigações regulatórias podem alterar rapidamente o ambiente competitivo global.
Xandy Negrão citou episódios recentes do setor de energia eólica para ilustrar como mudanças regulatórias podem abrir ou fechar mercados em pouco tempo. Diante desse cenário, os executivos defenderam que as empresas precisam desenvolver flexibilidade estratégica, diversificação de mercados e capacidade de adaptação a novos ambientes econômicos.
Articulação institucional reforça ambiente industrial
No encerramento do encontro, os participantes destacaram a atuação da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) como elo entre empresas, governo e instituições. A entidade, segundo eles, ajuda a ampliar o diálogo sobre política industrial, desenvolvimento regional e formação de talentos.
A Feira da Indústria FIEC surge, nesse contexto, como espaço de troca entre lideranças empresariais, especialistas e gestores públicos interessados no avanço da indústria brasileira.
No horizonte mais amplo, o debate indica que a competitividade industrial depende menos de fatores isolados e mais da integração entre tecnologia, capital humano, governança empresarial e articulação institucional. À medida que a economia global se torna mais volátil, os territórios capazes de combinar esses elementos tendem a atrair investimentos produtivos e consolidar novas plataformas industriais.





