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Greve da Avibras chega ao fim após 1.280 dias e abre caminho para retomada

A greve da Avibras terminou após 1.280 dias com aprovação de acordo de R$ 230 milhões para quitar salários atrasados. O plano inclui desligamentos, recontratações e retomada da produção da fabricante brasileira de sistemas militares a partir de abril. Saiba mais.
Galpão da Avibras, fim da greve da Avibras termina e abre caminho para retomada da produção
Trabalhadores aprovam acordo que encerra greve da Avibras e permite retomada gradual das atividades industriais. (Foto: Divulgação/Avibras)

Após três anos de duração, a greve dos trabalhadores da Avibras Indústria Aeroespacial S/A chegou ao fim nessa quarta-feira (11/03) após os colaboradores aprovarem um acordo para quitar salários e direitos atrasados acumulados durante a crise financeira da empresa. A paralisação, que durou exatos 1.280 dias, foi uma das mais longas registradas na indústria de defesa no Brasil.

Com a aprovação da proposta, a companhia e o sindicato definiram um plano para pagamento da dívida trabalhista estimada em R$ 230 milhões. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, cerca de 1,4 mil trabalhadores têm valores a receber. O acordo prevê pagamento parcelado entre 12 e 48 vezes, conforme a faixa salarial.

Greve da Avibras e acordo trabalhista

O fim da greve da Avibras também reorganiza o quadro de funcionários da fábrica localizada em Jacareí (SP). De acordo com o sindicato, a empresa desligará os 850 trabalhadores ainda registrados na unidade, quitará as pendências trabalhistas dentro do plano acordado e iniciará uma nova etapa de contratações.

Nesse processo, a companhia pretende recontratar cerca de 450 trabalhadores após a regularização das dívidas. O sindicato afirma que o processo de demissões, homologações e novas admissões deverá ocorrer entre março e abril, etapa considerada necessária para a retomada produtiva.

Em nota, a empresa também afirmou que a aprovação do acordo para o fim da greve contribui para a implementação do plano de recuperação judicial, que busca restabelecer as atividades industriais da Avibras.

Reestruturação da empresa de defesa

A greve dos trabalhadores da Avibras começou em 9 de setembro de 2022, em meio à crise financeira que levou a empresa a pedir recuperação judicial em março do mesmo ano. Na ocasião, a companhia declarou possuir dívidas próximas de R$ 600 milhões.

O processo judicial também resultou em mudanças na estrutura de controle da fabricante. Em 25 de julho de 2025, o Tribunal de Justiça de São Paulo homologou a transferência de 99% das ações da empresa para o Brasil Crédito Gestão Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), credor da companhia.

A decisão retirou do comando o então proprietário João Brasil Carvalho Leite. Abrindo, assim, espaço para uma nova gestão responsável pela implementação do plano de recuperação e reorganização financeira.

Retomada após a greve da Avibras

A expectativa é que a produção seja retomada a partir de abril, depois de quase três anos sem operação contínua na unidade industrial. Além disso, a empresa informou que segue em fase de transição e prepara a retomada das atividades produtivas.

Fundada há mais de 50 anos, a Avibras desenvolve tecnologias para os setores militar e civil, com projetos ligados a sistemas de lançamento de foguetes, mísseis de cruzeiro, motores foguete e veículos blindados. Parte dessas tecnologias atende demandas da Marinha do Brasil e da Força Aérea Brasileira.

Com o encerramento da greve da Avibras, o desafio da nova gestão passa a ser restabelecer contratos, reorganizar a produção. E, além disso, reposicionar a empresa no mercado global de defesa e aeroespacial. Segmento que, portanto, depende de continuidade industrial para sustentar projetos de longo prazo.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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