O lucro da Magazine Luiza caiu 55,4% no quarto trimestre de 2025, segundo balanço divulgado na quinta-feira (12). A varejista registrou ganho líquido de R$ 131,6 milhões entre outubro e dezembro, contra R$ 294,8 milhões no mesmo período de 2024. Mesmo com a queda no resultado final, a companhia apresentou avanço operacional e crescimento das receitas.
No resultado ajustado, que exclui eventos não recorrentes, o lucro ficou em R$ 124,7 milhões, retração anual de 10,5%. Já o Ebitda ajustado, indicador que mede o desempenho operacional, somou R$ 867,3 milhões, avanço de 2,5%, com margem Ebitda estável em 7,8%.
Lucro da Magazine Luiza e desempenho operacional
A empresa registrou receita bruta de R$ 13,8 bilhões, crescimento de 3,3% na comparação anual. A receita líquida atingiu R$ 11,1 bilhões, alta de 3,4%. Mesmo assim, o lucro bruto recuou 6,1%, totalizando R$ 3,04 bilhões.
No acumulado de 2025, o lucro líquido total chegou a R$ 204,6 milhões, queda de 54,4% em relação ao ano anterior. O lucro ajustado anual somou R$ 158,9 milhões, enquanto o Ebitda anual alcançou R$ 3,2 bilhões, crescimento de 10,6%.
Os números mostram que o desempenho operacional avançou, ainda que a rentabilidade final tenha sido pressionada por fatores financeiros e pela estrutura de custos.
Desempenho do varejo e mudança no perfil de vendas
As vendas totais da Magazine Luiza atingiram R$ 18,2 bilhões no trimestre, leve recuo de 1,1% em relação ao mesmo período de 2024. A dinâmica entre canais, porém, foi distinta.
Enquanto o e-commerce registrou queda de 5,3%, as lojas físicas avançaram 8,7%, com crescimento de 8,4% no conceito de mesmas lojas. Esse desempenho indica ganho de participação de mercado no varejo físico.
No acumulado do ano, as vendas totais somaram R$ 65 bilhões. O canal digital respondeu por R$ 44 bilhões, com o e-commerce com estoque próprio (1P) alcançando R$ 27 bilhões. Já o marketplace (3P) representou 39% das vendas online.
Pela primeira vez, o faturamento das lojas físicas ultrapassou R$ 20 bilhões em um único ano.
Estratégia para elevar o lucro da Magazine Luiza
Uma das mudanças estratégicas envolve o reposicionamento da marca para produtos de maior valor agregado. A companhia passou a priorizar itens de ticket médio mais alto, com foco em curadoria de produtos, logística rápida e plataforma de serviços integrados.
Parcerias comerciais também ganharam peso na estratégia. O acordo da Magazine Luiza com o AliExpress ampliou a presença da varejista no comércio cross-border, permitindo que produtos internacionais circulem entre as plataformas digitais das empresas.
Outro eixo envolve a integração do ecossistema digital criado pela companhia desde 2019. A estrutura reúne empresas como Kabum, Netshoes, Época Cosméticos e Estante Virtual, além das áreas de logística Magalog, publicidade digital Magalu Ads e serviços financeiros MagaluPay.
A varejista também pretende ampliar o uso de inteligência artificial no varejo, integrando ferramentas de AI Commerce, automação de processos e novos canais de compra digital.
No campo financeiro, a companhia aposta na expansão da carteira de crédito ao consumidor, especialmente em um cenário de possível queda da taxa Selic. A estratégia busca estimular o consumo, aumentar o valor médio das compras e fortalecer o relacionamento com clientes.
Nesse contexto, o lucro da Magazine Luiza passa a depender cada vez mais da combinação entre multicanalidade, serviços financeiros e tecnologia aplicada ao varejo, fatores que tendem a definir o próximo ciclo de crescimento da empresa.





