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Cobrança de chatbot no WhatsApp entra no radar do Cade

Cobrança de chatbots no WhatsApp entra em análise no Cade após Meta defender tarifa por mensagem. Caso envolve concorrência, acesso à plataforma e monetização da inteligência artificial. Saiba mais.,
cobrança de chatbots no WhatsApp em análise pelo Cade
Meta afirma que tarifa de R$ 0,33 por mensagem segue padrões do mercado (Foto: Reprodução

A cobrança de chatbots no WhatsApp e Facebook entrou na agenda do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) nesta quinta-feira (19/03), após Meta, controladora das plataformas, defender uma tarifa de US$ 0,0625 (R$ 0,33) por mensagem no WhatsApp Business durante investigação em curso.

O órgão analisa se a política de preços por mensagem de chatbot pode limitar a atuação de concorrentes que operam soluções de inteligência artificial dentro da plataforma, especialmente startups que dependem da infraestrutura da empresa.

Cobrança de chatbots no WhatsApp sob análise regulatória

Meta afirmou ao Cade que a cobrança segue respaldo legal e representa cumprimento das determinações vigentes. Segundo a empresa, o acesso de terceiros aos sistemas foi restabelecido após decisão do tribunal do órgão em 4 de março.

A companhia também sustenta que a tarifa acompanha práticas do mercado. Na avaliação apresentada, o custo por usuário ativo mensal no WhatsApp Business API seria equivalente ou inferior ao observado em outras plataformas digitais e serviços de mensageria corporativa.

Por outro lado, a Superintendência-Geral do Cade avalia que a nova estrutura pode restringir a concorrência. Em nota técnica, o órgão afirma que a política pode mascarar uma estratégia de exclusão ao elevar custos para empresas de chatbots comerciais.

Modelo de preço e disputa por infraestrutura digital

A justificativa da Meta para cobrança parte do padrão de uso dos chatbots em plataformas como WhatsApp. Segundo a empresa, esses sistemas geram grande volume de mensagens sem retorno proporcional dentro do modelo atual de monetização.

Portanto, esse cenário, de acordo com a defesa, exige ajustes no modelo econômico da plataforma. Além disso, a companhia também argumenta que o Cade historicamente evita interferir na formação de preços em mercados privados. Tal como a possibilidade de versões premium pagas para o WhatsApp, modelo ainda em análise pela Meta.

Ainda assim, a autarquia destaca que a cobrança foi implementada durante a vigência de uma medida preventiva que exigia a manutenção das condições anteriores de acesso para provedores de IA generativa.

Cobrança de chatbots no WhatsApp e origem da disputa

O caso teve início em setembro de 2025, quando as startups Luzia e Zapia denunciaram mudanças nos termos do WhatsApp Business. Segundo as empresas, as alterações impediriam a operação de soluções externas de automação de atendimento.

A partir da denúncia, o Cade abriu inquérito e determinou a suspensão das mudanças. Uma decisão judicial chegou a interromper a medida, mas o tribunal do órgão restabeleceu a exigência de acesso aos sistemas de terceiros.

Vale ressaltar, inclusive, que esta é apenas uma das muitas investigações públicas envolvendo a plataforma de mensagens. No início do ano, a autoridade reguladora independente Ofcom (Office of Communications, ou Escritório de Comunicações) iniciou uma investigação sobre informações recebidas e compartilhadas pelo Whatsapp.

Cobrança de chatbots no WhatsApp e o valor do mercado

A discussão ocorre em paralelo ao avanço econômico das integrações entre plataformas e inteligência artificial. Parcerias recentes indicam o tamanho desse mercado, com estimativas de US$ 300 milhões anuais no caso de Grok com Telegram e US$ 400 milhões envolvendo Perplexity e Snapchat.

Nesse ambiente, a cobrança de chatbots no WhatsApp passa a refletir uma disputa mais ampla sobre controle de infraestrutura digital, definição de modelos de monetização e acesso competitivo em ecossistemas de tecnologia. O desfecho no Cade tende a influenciar como plataformas estruturam preços e regras para uso de tecnologia conversacional no país.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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