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Prejuízo da Méliuz expõe impacto do Bitcoin no balanço

O prejuízo da Méliuz contrasta com o avanço da receita e do cashback no Brasil. Entenda como fatores extraordinários impactaram o resultado e o que muda na estratégia da empresa.
Imagem de uma sala da Méliuz para ilustrar uma matéria jornalística sobre o Prejuízo da Méliuz.
Prejuízo da Méliuz reflete perdas apesar de receita em alta. (Imagem: divulgação/Méliuz)

O prejuízo da Méliuz marcou o quarto trimestre de 2025, divulgado na quarta-feira (18), ao atingir R$ 32,9 milhões e reverter o lucro de R$ 21,5 milhões registrado um ano antes. Apesar do resultado negativo, a empresa apresentou avanço relevante em receita e operação, indicando um cenário mais complexo do que o número final sugere.

No acumulado do ano, o prejuízo foi de R$ 1,1 milhão, menor que os R$ 11,3 milhões registrados em 2024. Ainda assim, o desempenho foi impactado por fatores não recorrentes, com destaque para perdas associadas a ativos digitais, segundo a companhia.

Prejuízo da Méliuz e os efeitos extraordinários

A deterioração do resultado está ligada principalmente a itens extraordinários. Entre eles, perdas com Bitcoin pressionaram o Ebitda consolidado, que ficou negativo em R$ 17,2 milhões no trimestre.

Por outro lado, ao excluir esses efeitos, o Ebitda ajustado alcançou R$ 34,6 milhões, com alta de 64% na comparação anual. Esse desempenho reflete melhora operacional, com avanço em escala, eficiência e maior tração no modelo de negócios.

Receita avança mesmo com resultado negativo

Mesmo com o prejuízo, a receita líquida cresceu 32% no quarto trimestre, totalizando R$ 138,3 milhões. No ano, o faturamento chegou a R$ 460,2 milhões, alta de 26% frente a 2024.

O principal motor desse crescimento foi a vertical Shopping Brasil, que avançou 52% no período. O desempenho reforça a expansão do cashback no Brasil, considerado o núcleo da operação e responsável por sustentar a evolução da base de usuários e do engajamento digital.

Mudança estratégica e reconfiguração do negócio

Enquanto o core da Méliuz avançou, a divisão de serviços financeiros apresentou retração de 27% no trimestre e 32% no acumulado do ano. O dado indica uma revisão na estratégia, com menor peso para essa frente dentro da companhia.

No exterior, a operação da Picodi teve desempenho mais fraco no trimestre, embora mantenha crescimento leve no ano. Esse cenário sugere ajustes na atuação internacional, em meio a um ambiente mais competitivo e seletivo.

O prejuízo da Méliuz, portanto, revela um contraste: enquanto a operação principal ganha força e melhora indicadores, decisões fora do núcleo — especialmente ligadas a ativos digitais — seguem afetando o resultado contábil. A tendência agora será observar se a empresa consegue sustentar o crescimento operacional sem novas pressões externas.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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