A Danone realizou a compra da marca britânica de alimentos e bebidas proteicas Huel, em um acordo divulgado nesta segunda-feira (23/03) e avaliado em cerca de € 1 bilhão (US$ 1,1 bilhão), segundo o Financial Times. A companhia francesa não divulgou os termos oficiais da operação de aquisição da Huel.
Com a compra, a Danone amplia presença em nutrição saudável e reforça sua estratégia em produtos de alto teor proteico. Uma categoria que ganha tração global com mudanças no comportamento alimentar e no consumo ligado ao bem-estar.
Danone compra huel e reforça presença em proteínas
A entrada da Huel no portfólio adiciona uma linha consolidada de bebidas prontas, pós nutricionais e refeições completas com foco em proteínas, carboidratos e gorduras equilibradas. A marca também atua com barras veganas e refeições práticas, ampliando o alcance da Danone em soluções de conveniência alimentar.
Além disso, a Huel construiu relevância com um modelo direto ao consumidor, baseado em canais digitais, ao mesmo tempo em que expandiu presença em supermercados. Esse formato híbrido amplia a distribuição e dialoga com novos hábitos de compra. Nos números mais recentes, a fabricante britânica reportou receita de £ 214 milhões em 2024, equivalente a cerca de US$ 285 milhões.
Em 2022, uma rodada de investimento avaliou a Huel em US$ 560 milhões, com participação de nomes como Steven Bartlett, Idris Elba e Grace Beverley. Reforçando, portanto, a base sobre a qual a Danone compra Huel para acelerar sua atuação em nutrição funcional.
Expansão em nutrição proteica ganha tração no setor
A aquisição ocorre em um cenário de crescimento da demanda por alimentos funcionais, suplementação alimentar e produtos voltados à performance nutricional. Analistas apontam que esse ambiente também dialoga com o avanço de medicamentos voltados à perda de peso, que alteram padrões de consumo.
Nesse contexto, antes da Danone comprar a Huel, a empersa já vinha fortalecendo sua atuação com marcas como YoPRO, voltada à proteína, além de Activia e Actimel, posicionadas em saúde digestiva e imunidade. A empresa também adquiriu a americana Kate Farms, que, segundo a gestão, registra expansão consistente.
Porém, apesar do avanço estratégico, o mercado reagiu com cautela no curto prazo. As ações da Danone chegaram a cair 1,1% em Paris no dia do anúncio e acumulam baixa de quase 12% no ano, em linha com a pressão mais ampla sobre ativos globais. Além disso, a empresa ainda enfrenta certo escrutínio após o caso do recolhimento de fórmula infantil por motivos de saúde alimentar.
Danone compra Huel e reposiciona portfólio global
A operação reforça o reposicionamento da companhia em direção a produtos de maior valor agregado, com foco em bem-estar, nutrição especializada e consumo prático. Portanto, ao incorporar a Huel, a Danone amplia sua exposição a categorias que combinam conveniência, densidade nutricional e apelo funcional.
Além disso, a estratégia indica uma disputa mais direta com empresas de alimentos e suplementação que atuam no segmento de proteínas prontas, um dos mais dinâmicos dentro da indústria de consumo.
No cenário atual, a Danone compra Huel como parte de uma sequência de movimentos voltados à transformação do portfólio. Isso, é claro, em um mercado que exige inovação contínua e leitura precisa das novas demandas alimentares globais.





