Pouco mais de um mês após assumir o comando do Walmart, avaliado em US$ 1 trilhão, John Furner carrega não apenas o desafio de enfrentar a pressão da Amazon, mas também a influência de uma trajetória ligada à empresa desde a infância, marcada pela experiência de 25 anos do pai na companhia.
Além disso, a varejista perdeu recentemente a liderança da Fortune 500 para a concorrente, após a Amazon registrar receita de US$ 716,9 bilhões em 2025. Esse cenário elevou o grau de exigência sobre a gestão de John Furner, que agora precisa sustentar o crescimento da Walmart e ampliar a competitividade.
Ao mesmo tempo, os números operacionais indicam uma base sólida. O e-commerce do Walmart avançou 27% no último trimestre, enquanto as ações acumulam alta superior a 25% após o último balanço, refletindo confiança do mercado na estratégia.
Nova liderança no varejo aposta em tecnologia e IA
A nova liderança no Walmart sob gestão de John Furner tem priorizado a digitalização do negócio. A companhia ampliou investimentos em inteligência artificial, automação logística e plataformas digitais, além de avançar na integração entre lojas físicas e online.
Nesse contexto, o Walmart firmou parceria com o Google para oferecer capacitação em IA a 1,6 milhão de funcionários. Segundo Donna Morris, diretora de pessoas, o objetivo é preparar a força de trabalho para um ambiente “automatizado e digitalizado”.
Furner afirma que a tecnologia deve liberar tempo das equipes para atividades mais estratégicas. “Estamos apenas tentando ajudar as pessoas a chegar rapidamente às áreas de maior impacto”, declarou em conferência da Fortune.
Além disso, a empresa passou a incentivar o uso cotidiano de IA para otimizar processos operacionais, gestão de estoque, análise de dados e experiência do cliente, ampliando a eficiência em larga escala.
John Furner e Walmart apostam em gestão e retenção
John Furner e Walmart também avançaram na reestruturação da política de gestão de pessoas. A companhia elevou a remuneração de gerentes para até US$ 620 mil por ano, incluindo bônus e ações, como forma de alinhar desempenho e resultados.
Segundo Furner, a estratégia busca criar uma mentalidade de dono entre os líderes. “Isso impactou positivamente a forma como encaram lucros e prejuízos”, afirmou o executivo.
Paralelamente, cerca de 75% dos gerentes atuais começaram como funcionários por hora, reforçando a cultura interna de progressão. A taxa de retenção desses colaboradores melhorou mais de 10% desde 2015.
Enquanto isso, o debate global sobre IA e empregos ganha intensidade. Pesquisa do Deutsche Bank indica que quase 20% da Geração Z teme perder espaço no mercado. Ainda assim, Furner projeta estabilidade. “Devemos ter aproximadamente o mesmo número de pessoas”, disse.
Diante desse cenário, a estratégia do Walmart combina inovação tecnológica, qualificação profissional e retenção de talentos. A execução desse modelo deve definir não apenas a posição da empresa frente à Amazon, mas também o papel do varejo em uma economia cada vez mais orientada por dados.





