As vendas da varejista multinacional de moda de H&M recuaram no primeiro trimestre de 2026, em um ambiente de consumo mais fraco e impacto cambial, enquanto a empresa conseguiu preservar resultado ao reforçar o controle de custos.
Segundo dados divulgados nesta quinta-feira (26/03), a receita da empresa europeia ficou em 49,6 bilhões de coroas suecas (cerca de R$ 23,8 bilhões), abaixo das estimativas. Ainda assim, o lucro operacional superou projeções ao atingir 1,51 bilhão (cerca de R$ 725 milhões), mostrando que a companhia avançou na eficiência, mesmo com pressão na linha de vendas.
Vendas da H&M mostram virada mais interna do que comercial
O trimestre, porém, não indica retomada de demanda, mas sim ajuste de estrutura. A queda de 1% nas vendas da H&M em moedas locais revela um consumo ainda limitado. Porém, a empresa reagiu com disciplina sobre custos e estoques.
Além disso, a redução de descontos e o foco em vendas a preço cheio ajudaram a recompor margens. Esse movimento aparece na margem operacional, que saiu de cerca de 3% em 2022 para 8% em 2025.
Portanto, o avanço não vem de crescimento, mas de organização interna; um ponto que sustenta o resultado, mas não resolve o desafio comercial.
Concorrência global mantém pressão sobre desempenho
Porém, o ambiente externo segue exigente. As vendas da H&M continuam pressionadas por concorrentes como Shein e Primark, além da Inditex, dona da Zara, que segue com crescimento mais acelerado.
Analistas avaliam que a recuperação ainda é desigual. Ou seja, melhorar a operação é necessário, mas não suficiente diante de um setor que exige velocidade, preço e adaptação constante.
Além disso, a empresa tenta ganhar tração ao integrar lojas físicas, e-commerce e canais digitais. A estratégia busca ampliar conversão e manter relevância em um mercado cada vez mais competitivo.
Vendas da H&M ganham novo vetor com expansão no Brasil
Enquanto ajusta sua operação global, a companhia direciona crescimento para mercados específicos. Nesse cenário, as vendas da H&M passam a depender também da evolução em regiões como o Brasil.
A operação, iniciada em 2025, já inclui unidades em São Paulo e Campinas. Agora, em 2026, estão previstas sete novas lojas no país, além da ampliação para 11 unidades no total planejado.
Além disso, o plano até 2028 prevê presença em todos os estados brasileiros, com abertura de até nove lojas por ano. A estratégia combina produção local com preços mais competitivos.
Estratégia global combina expansão seletiva e revisão da rede
Ao mesmo tempo em que planeja expansão regional em solo brasileiro, a empresa revisa sua estrutura global. O plano prevê abertura de cerca de 80 lojas, além do fechamento de aproximadamente 160 em 2026, indicando um redesenho mais seletivo da operação.
No entanto, fatores externos também entram no radar. Segundo o CEO Daniel Erver, um eventual prolongamento do conflito no Oriente Médio pode pressionar custos de energia e transporte, afetando empresas multinacionais, como a H&M e diversas outras, cenário que, inclusive, já é realidade vários em segmentos econômicos.
Portanto, o desempenho das vendas da H&M passa a depender de um equilíbrio mais complexo entre execução interna e cenário global, em um setor cada vez mais sensível a custo, velocidade e comportamento do consumidor.





