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Fim do imposto sobre canetas emagrecedoras favorece plano bilionário da EMS

O imposto sobre canetas emagrecedoras foi zerado pelo governo, com limite de importação e foco em evitar escassez. Medida impacta custos, produção nacional e o avanço da semaglutida no Brasil.
Imagem da fachada da EMS para ilustrar uma matéria jornalística sobre as canetas emagrecedoras.
Imposto zerado favorece EMS na produção de canetas no Brasil (Imagem: divulgação/EMS)

O imposto sobre canetas emagrecedoras foi zerado pelo governo federal na quinta-feira (26), ao reduzir a alíquota de importação de 14,4% para 0% por até 365 dias. A medida, aprovada pelo Gecex-Camex, estabelece um limite de 30 milhões de unidades e busca evitar falta de insumos usados na produção de medicamentos como semaglutida.

A decisão ocorre em um contexto de forte demanda por tratamentos para obesidade e diabetes. Ao mesmo tempo, o governo optou por restringir o volume liberado após avaliação técnica indicar que o pedido da farmacêutica EMS superava a necessidade real do mercado.

Imposto sobre canetas emagrecedoras e controle de oferta

A limitação da cota reflete uma tentativa de calibrar a política industrial. Segundo análise técnica, uma autorização integral poderia gerar distorções, já que a cota anterior teve uso de apenas 43% em quase cinco meses.

Além disso, o impacto financeiro da medida ultrapassa US$ 1 milhão, valor de referência utilizado pelo governo para avaliar esse tipo de solicitação. Ainda assim, a decisão foi considerada necessária diante da ausência temporária de produção regional dos componentes.

Incentivo fiscal e cadeia de suprimentos farmacêutica

Os insumos importados são utilizados em canetas aplicadoras para medicamentos à base de semaglutida e liraglutida, amplamente empregados no controle de doenças metabólicas. Conforme o comitê, o uso desses dispositivos reforça seu papel essencial no sistema de saúde.

Atualmente, a China responde por 35,6% das importações brasileiras desses componentes. Esse dado expõe a dependência externa da cadeia produtiva, especialmente em um momento de expansão da demanda global por terapias injetáveis.

Imposto sobre canetas emagrecedoras e corrida da semaglutida

Mesmo com investimento de R$ 1,2 bilhão, a EMS ainda depende da importação no curto prazo para viabilizar sua produção nacional. A empresa ampliou sua fábrica em Hortolândia (SP), com capacidade projetada de até 20 milhões de canetas por ano.

Por outro lado, o avanço do mercado depende da regulação. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) analisa 17 pedidos relacionados à substância, sendo três em estágio mais avançado. A expectativa, segundo o setor, é de que ao menos uma versão seja liberada até junho.

Apesar desse cenário, especialistas avaliam que a redução de preços não será imediata. Isso porque os produtos não serão genéricos tradicionais, mas versões similares, que exigem desenvolvimento próprio e tendem a oferecer descontos mais limitados.

Diante desse quadro, o imposto sobre canetas emagrecedoras se insere em uma estratégia mais ampla que combina política comercial, regulação sanitária e expansão industrial. O resultado final dependerá da velocidade das aprovações e da capacidade do país de reduzir sua dependência externa em um mercado em rápida transformação.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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