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Preço do ovo sobe até 19% e pesa no bolso na quaresma

O preço do ovo subiu até 19% em março, puxado pela quaresma e menor oferta. O alimento pressiona o orçamento das famílias e pode passar por ajustes após o período.
Imagem de uma bandeja de ovos para ilustrar uma matéria jornalística sobre o Preço do ovo.
Preço do ovo sobe até 19% na quaresma e pesa no bolso. (Imagem: Erika Varga/Pixabay)

Após cinco meses de queda, o preço do ovo voltou a subir no Brasil e já registra alta de até 19% em março, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O movimento ocorre em um momento de maior consumo, durante a quaresma, e tem impacto direto no orçamento das famílias.

O aumento atinge um dos alimentos mais presentes na mesa do brasileiro — especialmente em períodos de aperto financeiro, quando o ovo substitui proteínas mais caras, como carne bovina. Com a alta, essa alternativa perde parte da vantagem e pressiona os gastos com alimentação.

Demanda maior e oferta controlada elevam o preço do ovo

A valorização segue um padrão típico do mercado. Durante a quaresma, parte da população reduz o consumo de carne vermelha, o que eleva a procura por ovos, aumentando o preço temporariamente. Ao mesmo tempo, o início do ano traz a retomada do consumo com o fim das férias e a volta às aulas.

Do lado da produção, o cenário é de ajuste. Após preços baixos em janeiro — quando a caixa com 30 dúzias chegou a cerca de R$ 89, os produtores reduziram o ritmo para evitar excesso de oferta. Esse equilíbrio mais apertado entre produção e consumo sustenta a alta atual.

Impacto direto no custo de vida

Com consumo médio de 288 ovos por habitante ao ano no Brasil, o produto tem peso relevante na alimentação. Quando o preço do ovo sobe, o efeito é imediato, sobretudo para famílias de renda mais baixa.

Na prática, o consumidor precisa gastar mais para manter o mesmo padrão ou reduzir o consumo. A alta do ovo também se soma a outras variações na cesta básica, ampliando a percepção de encarecimento dos alimentos.

Custos seguem no radar do setor

Mesmo com a recuperação no preço, os custos de produção de ovo continuam sendo um ponto de atenção. A alimentação das aves — baseada em milho e farelo de soja — concentra a maior parte das despesas, além de gastos com embalagem e logística.

Há ainda incertezas externas. Tensões no Oriente Médio podem pressionar custos de frete e, eventualmente, gerar novos aumentos. Até o momento, porém, esse efeito ainda não se refletiu de forma significativa nos preços ao consumidor.

O que esperar para os próximos meses no preço do ovo

A tendência dependerá do comportamento do consumo após a quaresma. Com a redução da demanda, pode haver espaço para queda no preço do ovo, especialmente se a produção aumentar.

Por outro lado, caso o consumo se mantenha firme, os preços podem seguir sustentados. O setor é sensível a mudanças rápidas no equilíbrio entre oferta e demanda.

Em 2025, o Brasil registrou produção recorde de 4,95 bilhões de dúzias de ovos, alta de 5,7% sobre o ano anterior. O avanço reforça a importância do produto, mas também contribui para oscilações frequentes de preços — um fator que exige atenção constante do consumidor.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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