Após cinco meses de queda, o preço do ovo voltou a subir no Brasil e já registra alta de até 19% em março, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O movimento ocorre em um momento de maior consumo, durante a quaresma, e tem impacto direto no orçamento das famílias.
O aumento atinge um dos alimentos mais presentes na mesa do brasileiro — especialmente em períodos de aperto financeiro, quando o ovo substitui proteínas mais caras, como carne bovina. Com a alta, essa alternativa perde parte da vantagem e pressiona os gastos com alimentação.
Demanda maior e oferta controlada elevam o preço do ovo
A valorização segue um padrão típico do mercado. Durante a quaresma, parte da população reduz o consumo de carne vermelha, o que eleva a procura por ovos, aumentando o preço temporariamente. Ao mesmo tempo, o início do ano traz a retomada do consumo com o fim das férias e a volta às aulas.
Do lado da produção, o cenário é de ajuste. Após preços baixos em janeiro — quando a caixa com 30 dúzias chegou a cerca de R$ 89, os produtores reduziram o ritmo para evitar excesso de oferta. Esse equilíbrio mais apertado entre produção e consumo sustenta a alta atual.
Impacto direto no custo de vida
Com consumo médio de 288 ovos por habitante ao ano no Brasil, o produto tem peso relevante na alimentação. Quando o preço do ovo sobe, o efeito é imediato, sobretudo para famílias de renda mais baixa.
Na prática, o consumidor precisa gastar mais para manter o mesmo padrão ou reduzir o consumo. A alta do ovo também se soma a outras variações na cesta básica, ampliando a percepção de encarecimento dos alimentos.
Custos seguem no radar do setor
Mesmo com a recuperação no preço, os custos de produção de ovo continuam sendo um ponto de atenção. A alimentação das aves — baseada em milho e farelo de soja — concentra a maior parte das despesas, além de gastos com embalagem e logística.
Há ainda incertezas externas. Tensões no Oriente Médio podem pressionar custos de frete e, eventualmente, gerar novos aumentos. Até o momento, porém, esse efeito ainda não se refletiu de forma significativa nos preços ao consumidor.
O que esperar para os próximos meses no preço do ovo
A tendência dependerá do comportamento do consumo após a quaresma. Com a redução da demanda, pode haver espaço para queda no preço do ovo, especialmente se a produção aumentar.
Por outro lado, caso o consumo se mantenha firme, os preços podem seguir sustentados. O setor é sensível a mudanças rápidas no equilíbrio entre oferta e demanda.
Em 2025, o Brasil registrou produção recorde de 4,95 bilhões de dúzias de ovos, alta de 5,7% sobre o ano anterior. O avanço reforça a importância do produto, mas também contribui para oscilações frequentes de preços — um fator que exige atenção constante do consumidor.





