Anúncio SST SESI

Preços da indústria caem em fevereiro e podem aliviar a inflação

Os preços da indústria caíram -0,25% em fevereiro de 2026, segundo o IBGE. O recuo reduz a pressão sobre custos e pode influenciar a inflação nos próximos meses, embora o impacto no consumidor não seja imediato. Saiba mais.
Trabalhador observa refinaria industrial ao entardecer, com estruturas e tubulações ao fundo
Preços da indústria caíram 0,25% em fevereiro, com impacto puxado por combustíveis e insumos (Foto: Ilustrativa)

Os preços da indústria brasileira caíram -0,25% em fevereiro de 2026, segundo o Índice de Preços ao Produtor (IPP), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (31/03). O resultado reverte a alta de janeiro (+0,32%) e mostra perda de ritmo nos custos de produção no país.

O dado ganha relevância porque o IPP mede os preços na saída da fábrica — ou seja, antecipa movimentos que ainda podem chegar ao consumidor. No acumulado do ano, a alta é de apenas 0,07%, enquanto em 12 meses os preços industriais recuam -4,47%, indicando um cenário ainda pressionado para baixo na comparação anual

Queda nos preços não foi isolada e atingiu mais da metade da indústria

O recuo de fevereiro não ficou concentrado em poucos setores. 13 das 24 atividades industriais registraram queda de preços, acompanhando o movimento da indústria geral

Esse espalhamento indica um ajuste mais amplo nos custos industriais, especialmente em setores ligados à produção de insumos.

Combustíveis e energia tiveram papel central

Entre os principais fatores de pressão no índice está o setor de refino de petróleo e biocombustíveis, que caiu -0,50% no mês

Dentro do setor, houve movimentos em direções opostas:

  • Gasolina com queda de preços;
  • Álcool com alta;
  • Diesel com peso relevante nos indicadores.

Esses produtos têm forte impacto porque influenciam transporte e produção. O relatório também aponta a influência do cenário externo, com início de tensões entre Estados Unidos e Irã no fim de fevereiro

Enquanto isso, alguns setores continuam pressionando para cima

Porém, nem toda a indústria ficou mais barata. O segmento de perfumaria, sabões e produtos de limpeza registrou alta de 1,44% em fevereiro, após já ter subido 1,66% em janeiro, acumulando avanço de 3,12% no ano

Esse movimento mostra que produtos de consumo direto seguem com pressão de preços, mesmo em um cenário geral de queda industrial.

Bens intermediários puxam o movimento

Além disso, a queda nos preços da indústria foi influenciada principalmente por bens intermediários, que representam mais da metade do peso do índice (53,77%)

Esses produtos são usados na fabricação de outros itens. Quando ficam mais baratos, tendem a reduzir custos ao longo da cadeia produtiva — o que pode impactar a inflação mais à frente.

O que a variação no preço da indústria sinaliza para a inflação

A queda nos preços da indústria reduz a pressão sobre empresas e pode desacelerar reajustes futuros.

Mas o efeito não é automático. Mesmo com recuo mensal, o índice ainda mostra:

  • Variações diferentes entre setores;
  • Influência forte de energia;
  • Impacto de fatores externos.

Na prática, o movimento observado no Índice de Preços ao Produtor do IBGE indica alívio na origem dos preços — mas não garante redução imediata no bolso do consumidor.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

Mais lidas

Últimas notícias

Entrar no canal Canal do Economic News Brasil no WhatsApp