Anúncio SST SESI

Prejuízo da Marisa expõe estratégia de vender menos para lucrar

O prejuízo da Marisa no 4T25 expõe o impacto de uma estratégia que priorizou margem em vez de volume. A empresa reduziu promoções, vendeu menos e viu receita e Ebitda caírem, mesmo com melhora na margem bruta.
Imagem da fachada de uma loja da Marisa para ilustrar uma matéria jornalística sobre o Prejuízo da Marisa.
Prejuízo da Marisa cresce após queda nas vendas e promoções. (Imagem: divulgação/Marisa)

A Marisa (AMAR3) encerrou o quarto trimestre de 2025 com prejuízo de R$ 70,3 milhões, revertendo o lucro registrado um ano antes. O resultado reflete uma decisão estratégica clara: vender menos para tentar preservar rentabilidade em um ambiente de consumo mais pressionado.

A escolha teve efeito direto nos números. A receita líquida caiu 2,2%, para R$ 458 milhões, enquanto o Ebitda recuou 44%, totalizando R$ 67,3 milhões. Mesmo assim, a empresa conseguiu ampliar a margem bruta, indicando maior controle sobre preços e descontos.

Esse movimento revela uma mudança relevante na condução do negócio. Em vez de impulsionar vendas com promoções, prática comum no varejo de moda, a companhia reduziu estímulos comerciais e priorizou a qualidade da receita.

Margem melhora, mas prejuízo da Marisa expõe perda de fôlego operacional

A margem bruta da Marisa subiu para 54,4%, avanço de 1,7 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2024. Na prática, isso indica que a empresa vendeu com menos descontos ou com melhor gestão de custos.

O ganho, porém, não foi suficiente para compensar a perda de escala operacional. A margem Ebitda caiu de 25,7% para 14,7%, mostrando que, mesmo com produtos mais rentáveis, a diluição de custos ficou comprometida pela menor geração de receita.

Esse tipo de movimento costuma expor um dilema clássico do varejo: equilibrar volume e margem. Ao reduzir promoções, a empresa protege o preço médio, mas corre o risco de perder fluxo de clientes e giro de estoque.

Clima e concentração geográfica pressionam vendas

Outro fator que influenciou o prejuízo da Marisa foi o comportamento do clima no período. Temperaturas mais amenas impactaram diretamente a demanda por itens típicos de verão, especialmente em regiões onde a empresa tem maior presença.

Cerca de 60% das lojas da Marisa estão concentradas no Sul e Sudeste, o que aumenta a exposição a variações climáticas nessas regiões. Com menor calor, a venda de categorias sazonais perde força, afetando o desempenho do trimestre.

Esse tipo de variável, embora não controlável, reforça a necessidade de adaptação rápida de sortimento e estratégia comercial — algo que, neste caso, foi compensado pela decisão de evitar liquidações mais agressivas.

Rede menor e foco em eficiência

Ao fim de 2025, a Marisa operava com 230 lojas, quatro a menos do que no ano anterior. O ajuste na rede física faz parte de um processo de reestruturação que busca melhorar a eficiência operacional e reduzir custos fixos.

A empresa ainda não descarta novos fechamentos, mas sinaliza que a fase mais intensa desse movimento já ficou para trás. A estratégia agora tende a ser mais seletiva, com foco na rentabilidade por unidade.

Com uma base de 7 milhões de clientes ativos, a companhia mantém escala relevante, mas precisa equilibrar melhor conversão de vendas e rentabilidade para recuperar consistência nos resultados.

Estratégia expõe custo da disciplina em cenário de juros altos

O prejuízo da Marisa evidencia o impacto do ambiente macroeconômico sobre o varejo. Com a taxa Selic em 14,75% ao ano, o crédito mais caro reduz o consumo, especialmente em segmentos mais sensíveis a preço.

Nesse contexto, empresas enfrentam uma escolha difícil: estimular vendas com descontos, sacrificando margem, ou preservar rentabilidade, mesmo com menor volume.

A Marisa optou pela segunda alternativa no quarto trimestre. O resultado foi uma melhora pontual na margem bruta, mas com custo elevado sobre lucro e geração operacional.

O início de 2026 indica estabilidade em relação ao planejado, mas o desafio da Marisa permanece: transformar disciplina comercial em crescimento sustentável sem voltar a depender de promoções agressivas.  

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

Mais lidas

Últimas notícias

Entrar no canal Canal do Economic News Brasil no WhatsApp