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Milhas do cartão viram dinheiro perdido para milhões de brasileiros

Milhões de brasileiros usam cartão de crédito, mas deixam de acumular milhas e perdem dinheiro sem perceber. Entenda o custo real dessa escolha e como isso impacta suas finanças.
Milhas do cartão de crédito: quanto você perde ao não usar
Milhas do cartão viram dinheiro perdido para milhões de brasileiros. Imagem: Canva

O uso do cartão de crédito nunca foi tão presente na rotina do brasileiro. Mas, por trás desse hábito consolidado, existe uma perda silenciosa: milhões de consumidores deixam de aproveitar milhas do cartão de crédito e abrem mão de benefícios que poderiam virar economia real.

Na prática, isso significa gastar todos os meses, e não recuperar nada em troca. O impacto vai além de uma simples oportunidade perdida: trata-se de dinheiro que poderia voltar em forma de passagens, descontos ou serviços.

O custo invisível de não usar milhas

Quem usa o cartão com frequência já está gerando valor para bancos, bandeiras e programas de fidelidade. Cada compra feita movimenta esse sistema. O problema é que nem sempre o consumidor captura sua parte nessa equação.

Quando as milhas do cartão de crédito não são utilizadas, o efeito é direto: o gasto continua, mas o retorno desaparece.

Um exemplo simples ajuda a dimensionar essa perda. Um consumidor que concentra R$ 5.000 por mês no cartão acumula cerca de R$ 60 mil por ano em despesas. Dependendo do programa, isso pode gerar algo próximo de 12 mil pontos anuais.

Esse volume, em muitos casos, já permite emitir uma passagem aérea nacional ou reduzir significativamente o custo de uma viagem. Quando isso não acontece, o consumidor não apenas deixa de ganhar — ele transfere valor para o sistema sem retorno.

Por que tanta gente deixa dinheiro na mesa

Apesar do potencial, grande parte dos usuários ignora as milhas do cartão de crédito. E o motivo não está na falta de acesso, mas no comportamento.

O primeiro obstáculo é o desconhecimento. Muitos consumidores não sabem se o cartão acumula pontos ou nunca se cadastraram em um programa de fidelidade. Sem esse passo básico, qualquer benefício simplesmente se perde.

Outro fator relevante é a percepção de complexidade. Termos como “tabela dinâmica”, “transferência de pontos” ou “parceiros aéreos” afastam quem não está familiarizado. O resultado é a inércia: a pessoa continua usando o cartão, mas não explora o que ele oferece.

Além disso, existe o foco no curto prazo. No dia a dia, acompanhar pontos ou buscar oportunidades parece secundário. Só que essa decisão tem um custo acumulado ao longo do tempo.

O que muda na prática para o consumidor

Ignorar milhas não altera o valor da fatura. O gasto será o mesmo. O que muda é o retorno sobre esse consumo.

Quando o consumidor passa a acompanhar e usar as milhas do cartão de crédito, o cenário se transforma. As despesas deixam de ser apenas saída de dinheiro e passam a gerar algum tipo de benefício.

Isso não exige aumento de consumo. O ponto central está na organização: entender como o cartão funciona, acompanhar os pontos e evitar que expirem. Sem isso, o ciclo se repete todos os meses:

  • o consumidor gasta
  • paga a fatura
  • não utiliza os benefícios
  • e recomeça do zero

Ao longo do tempo, essa repetição representa uma perda relevante, mesmo que pouco percebida.

Milhas como retorno financeiro e não bônus

Um dos erros mais comuns é tratar milhas como um “extra” sem importância. Na prática, elas funcionam como uma forma de retorno sobre o consumo.

Se o cartão já faz parte da rotina, seja no supermercado, nas contas ou nas compras do dia a dia, ignorar esse retorno significa aceitar uma eficiência menor no uso do próprio dinheiro. Para quem concentra gastos maiores no cartão, o impacto é ainda mais significativo. Quanto maior o volume, maior o potencial desperdiçado.

O que o consumidor precisa entender

A principal mudança não está na ferramenta, mas na forma de enxergar o consumo. O cartão de crédito não é apenas um meio de pagamento. Ele também pode ser um instrumento de geração de benefício, desde que usado com estratégia.

Sem esse olhar, o consumidor continua financiando o sistema sem capturar valor. Com ele, parte do dinheiro volta. No fim, a conta é simples: o gasto já existe. A diferença está em aproveitar, ou não, o que ele pode gerar.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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