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117 milhões de brasileiros endividados pressionam consumo no país

Brasileiros endividados já somam 117 milhões no país. O crescimento do crédito, principalmente em linhas caras, explica o avanço das dívidas e acende alerta sobre consumo e risco financeiro.
Imagem de cartão de crédito para ilustrar uma matéria jornalística sobre o número de brasileiros endividados segundo o Banco Central.
Brasileiros endividados pressionam economia do país. (Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O número de brasileiros endividados atingiu 117 milhões, segundo o Banco Central (BC), revelando um cenário em que mais da metade da população com acesso ao sistema financeiro convive com dívidas. O dado mostra não apenas o avanço do crédito, mas uma mudança profunda no comportamento financeiro do país com impacto direto no consumo, na renda e na estabilidade econômica.

O dado divulgado na segunda-feira (13/04) coloca em evidência a dimensão do problema: o endividamento deixou de ser pontual e passou a ser estrutural no Brasil. Hoje, ao mesmo tempo em que milhões de pessoas têm acesso a crédito, uma parcela não consegue sustentar esse nível de comprometimento financeiro.

Na prática, isso significa que o crédito, que antes era visto como ferramenta de inclusão e consumo, passou a operar também como fator de pressão no orçamento das famílias.

O que representa ter 117 milhões de brasileiros endividados

O número divulgado pelo Banco Central indica que o endividamento está amplamente disseminado entre os brasileiros. Para efeito de comparação, o país tem cerca de 130 milhões de pessoas com acesso a crédito, o que significa que a maioria dessa base já possui algum tipo de dívida ativa.

Esse cenário revela uma sobreposição entre inclusão financeira e risco. Mais pessoas passaram a ter acesso a produtos bancários nos últimos anos. Ao todo, foram 32 milhões a mais em quatro anos, um crescimento de 34%. Contudo, esse avanço não foi acompanhado, na mesma proporção, por capacidade de pagamento.

O resultado é um sistema em que o acesso ao crédito cresce junto com a vulnerabilidade financeira.

O perfil das dívidas no Brasil

O avanço do número de brasileiros endividados está diretamente ligado ao uso de linhas de crédito mais caras e de fácil acesso. Entre os principais pontos identificados pelo BC:

  • 53 milhões de pessoas têm dívidas no cartão de crédito, muitas no rotativo
  • 41,7 milhões utilizam empréstimo pessoal, modalidade que cresceu 214% desde 2020
  • Cerca de 24 milhões recorrem ao cheque especial ou crédito consignado

Esses números mostram que o endividamento não está concentrado em financiamentos de longo prazo, como imóveis, mas sim em linhas de curto prazo e juros elevados, o que aumenta o risco de inadimplência.

Além disso, o volume movimentado no cartão de crédito chegou a quase R$ 400 bilhões. É o maior da série histórica do Banco Central, reforçando o peso desse tipo de dívida no orçamento das famílias.

O impacto direto no consumo e na economia

Quando o número de brasileiros endividados cresce nesse nível, o efeito ultrapassa o orçamento individual e passa a influenciar a economia como um todo.

Famílias mais endividadas tendem a reduzir consumo, priorizar pagamento de dívidas e evitar novos compromissos financeiros. Isso impacta diretamente setores como varejo, serviços e crédito.

Ao mesmo tempo, o aumento do endividamento eleva o risco para instituições financeiras, que passam a ajustar critérios de concessão de crédito, encarecer juros ou restringir acesso.

Esse movimento cria um ciclo: menos consumo, crédito mais caro e maior dificuldade para sair das dívidas.

Um problema que vai além do financeiro

O Banco Central também chama atenção para um efeito menos visível. O impacto do endividamento na vida cotidiana. O acúmulo de dívidas está associado a estresse, ansiedade e dificuldades emocionais, o que amplia as consequências do problema para além da economia.

A pressão constante para pagar contas, somada à dificuldade de reorganizar as finanças, pode afetar produtividade, relações familiares e qualidade de vida. Esse fator reforça que o endividamento em massa não é apenas um indicador econômico, mas um fenômeno social com efeitos amplos.

O que muda com esse cenário?

O avanço dos brasileiros endividados ocorre em um momento em que o governo avalia medidas para reduzir o peso das dívidas. Entre elas, estão as propostas de renegociação com descontos relevantes em juros e até o uso do FGTS para quitação.

A discussão ganha força porque o tamanho do problema já não permite soluções pontuais. Com mais de 100 milhões de pessoas afetadas, qualquer mudança nas regras de crédito ou renegociação tem potencial de impacto nacional.

No fim, o dado central, 117 milhões de brasileiros com dívidas, revela mais do que um número: mostra um país em que o acesso ao crédito cresceu rapidamente, mas ainda enfrenta o desafio de transformar esse acesso em equilíbrio financeiro sustentável.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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