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Meta deve tirar liderança do Google em anúncios e virar o jogo global

A Meta deve ultrapassar o Google em receita de publicidade digital até 2026, segundo a Emarketer. O avanço reflete crescimento acelerado, expansão de anúncios em plataformas como WhatsApp e a força do vídeo curto no Instagram.
Imagem da logo da Meta para ilustrar uma matéria jornalística sobre a disputa de receitas em anúncios entre o Google e a Meta.
Meta avança e pode liderar anúncios globais. (Imagem: Artapixel/Pixabay)

A disputa pela liderança da publicidade digital global pode ter um novo protagonista em 2026. A Meta Platforms, dona de Facebook, Instagram e WhatsApp, deve ultrapassar o Google em receita de anúncios, segundo projeções da Emarketer. Uma mudança que indica transformação no modelo de negócios que sustenta a internet.

A estimativa aponta que a Meta pode alcançar US$ 243,46 bilhões em receita publicitária, superando os US$ 239,54 bilhões projetados para o Google. A diferença é pequena em valor, mas tem significado importante: o domínio histórico das buscas pode dar lugar a um modelo centrado em redes sociais, vídeo e comunicação direta.

Essa virada não acontece por acaso. Ela reflete mudanças profundas na forma como pessoas consomem conteúdo e como empresas investem em publicidade.

O que explica o avanço da Meta sobre o Google

O principal motor da Meta é o ritmo mais acelerado de crescimento. A empresa deve expandir sua receita publicitária em 24,1% em 2026, enquanto o Google deve crescer 11,9%, praticamente metade da velocidade.

Esse diferencial está diretamente ligado à diversificação das plataformas da Meta. Ao contrário do Google, cuja receita ainda depende fortemente das buscas, a empresa ampliou sua presença em diferentes formatos e canais de engajamento.

O Instagram, por exemplo, consolidou o Reels como um dos principais produtos de vídeo curto, competindo diretamente com TikTok e YouTube Shorts. É um dos segmentos mais lucrativos da publicidade digital hoje. Além disso, a empresa passou a monetizar espaços que antes não geravam receita relevante.

WhatsApp e Threads mudam o jogo

A entrada de publicidade no WhatsApp e no Threads representa uma nova fronteira de crescimento. Essas plataformas ampliam o alcance da Meta para ambientes mais íntimos e recorrentes no dia a dia dos usuários.

No caso do WhatsApp, a empresa explora um espaço estratégico: a comunicação direta entre marcas e consumidores. Isso permite formatos mais personalizados e com maior potencial de conversão, o que tende a atrair investimentos publicitários.

Já o Threads surge como uma alternativa no segmento de redes sociais em tempo real, competindo com o X (antigo Twitter). Mesmo ainda em expansão, a plataforma adiciona inventário publicitário e reforça o ecossistema da Meta.

O resultado é um modelo menos dependente de um único produto e mais distribuído entre diferentes canais.

O limite do modelo baseado em buscas do Google

O Google continua sendo uma das maiores potências da publicidade digital, mas enfrenta um desafio estrutural: a maturidade do seu principal negócio.

A publicidade em buscas ainda gera enorme receita, mas cresce em ritmo mais lento. Isso ocorre porque o modelo já está amplamente consolidado e depende de uma intenção ativa do usuário, alguém que procura por algo específico.

Em contraste do Google, a Meta opera com um modelo de descoberta, no qual os anúncios aparecem de forma integrada ao conteúdo consumido. Esse formato permite maior escala e frequência de exposição, aumentando o volume de impressões e oportunidades de monetização.

Na prática, isso significa que a Meta consegue capturar mais momentos de atenção ao longo do dia.

Meta e Google: concentração de investimentos reforça liderança

Outro fator decisivo é o comportamento dos anunciantes. Em um cenário de incerteza global, empresas tendem a concentrar seus investimentos em plataformas com maior alcance e retorno previsível.

Isso favorece diretamente Meta e Google, que juntos com a Amazon devem responder por 62,3% de todo o gasto global com publicidade digital em 2026.

Ao mesmo tempo, plataformas menores como Snap e Pinterest ficam mais expostas a cortes de orçamento, perdendo participação no mercado. Essa concentração cria um ciclo de reforço: quanto mais investimento as grandes plataformas recebem, mais conseguem aprimorar seus sistemas de segmentação e entrega de anúncios.

O que muda com a nova liderança

Se confirmada, a liderança da Meta não representa apenas uma troca de posição no ranking. Ela sinaliza uma mudança mais ampla no eixo da publicidade digital.

O foco deixa de estar centrado na busca por informação e passa a se concentrar na captura de atenção dentro de redes sociais, vídeos curtos e aplicativos de mensagens.

Para empresas, isso altera a forma de investir em marketing digital. Estratégias baseadas apenas em busca podem perder espaço para campanhas orientadas por engajamento, conteúdo e relacionamento direto com o consumidor.

Para o mercado, a tendência reforça a concentração nas grandes plataformas, ao mesmo tempo em que aumenta a competição por atenção dentro desses ambientes.

No centro dessa transformação está a disputa entre modelos de negócio. E, pelo ritmo atual, a receita de publicidade digital entre Meta e Google deve marcar uma nova fase da economia digital global.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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