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A usina de Candiota foi recontratada até 2040 com receita bilionária

A usina de Candiota foi recontratada até 2040 com receita bilionária garantida, mas o custo será pago pelos consumidores, pressionando a conta de luz.
Usina de Candiota é recontratada até 2040
Usina de Candiota pode encarecer conta de luz até 2040. Imagem: Divulgação Candiota - Eduardo Tavares

A usina de Candiota, no Rio Grande do Sul, voltou ao centro do debate energético porque o governo decidiu recontratar sua operação até 2040, com custo direto para o consumidor. O Ministério de Minas e Energia (MME) oficializou a medida e, com isso, garantiu uma receita anual de R$ 859,8 milhões ao empreendimento, valor que será repassado à conta de luz por meio de encargos. Isso significa que consumidores de todo o país passam a bancar o custo da usina por meio de encargos embutidos na tarifa, mesmo sem utilizar diretamente essa energia.

Na prática, a decisão impacta todos os brasileiros conectados ao sistema elétrico nacional, pois o custo da usina de Candiota será diluído nas tarifas. Além disso, mesmo sem operar continuamente, a usina receberá para permanecer disponível, o que cria uma despesa fixa no sistema e, consequentemente, pressiona o preço final da energia.

Ou seja, o custo da usina de Candiota entra na conta de luz de forma indireta, o que levanta a principal dúvida do consumidor: quanto isso pode pesar no valor final da energia.

Por que a usina de Candiota pode elevar a conta de luz

O contrato define um valor de R$ 540,27 por megawatt-hora (MWh) e, por isso, especialistas do setor elétrico consideram esse patamar elevado. Dessa forma, o sistema repassará esse custo aos consumidores, independentemente do uso efetivo da energia gerada pela usina de Candiota.

Ao longo dos 15 anos de vigência, o contrato pode gerar um custo total de cerca de R$ 12,9 bilhões, que será incorporado gradualmente às tarifas. Além disso, como a recontratação não passou por leilão competitivo, o processo reduz a pressão por preços mais baixos e, na prática, tende a elevar o custo médio da energia no país.

Energia de reserva: como funciona e quem paga

O governo enquadrou a usina de Candiota como energia de reserva, um modelo que garante segurança no abastecimento em momentos críticos. Com capacidade de 350 megawatts (MW) e garantia de 181,669 MW médios, a usina será remunerada pela disponibilidade.

Isso significa que o consumidor não paga apenas pela energia que consome, mas também pela estrutura pronta para uso emergencial. Além disso, embora esse modelo já exista no Brasil, ele costuma gerar críticas quando envolve fontes mais caras e poluentes, como o carvão mineral.

Críticas ao custo da usina de Candiota

A decisão dividiu especialistas e entidades do setor elétrico. O Conselho Nacional de Consumidores de Energia Elétrica (Conacen), por exemplo, afirma que o preço definido está acima da média de outros contratos regulados.

Ao mesmo tempo, em um cenário de sobreoferta de energia no país, analistas questionam a necessidade de manter a usina de Candiota com custos elevados. Na prática, isso pode levar o consumidor a pagar por uma energia que não é essencial para o equilíbrio atual do sistema. Isso ocorre porque o Brasil já opera com sobreoferta de energia em parte do sistema, o que reduz a necessidade de contratar fontes mais caras fora de leilões competitivos.

Além disso, ambientalistas criticam a continuidade de uma fonte considerada altamente poluente, sobretudo diante dos compromissos de redução de emissões assumidos pelo Brasil.

Economia local influenciou decisão

Apesar das críticas, o governo levou em conta o impacto regional. A usina de Candiota está localizada em uma área dependente da mineração de carvão e, por isso, a manutenção da operação garante empregos e renda.

Com isso, a decisão evita um impacto econômico imediato na cidade e no entorno. Ao mesmo tempo, esse contexto ajuda a explicar por que a recontratação avançou, mesmo diante de questionamentos técnicos e ambientais.

O impacto para o consumidor ao longo do tempo

A recontratação da usina de Candiota não provoca aumento imediato na conta de luz. No entanto, ela cria uma pressão estrutural sobre os custos da energia ao longo dos próximos anos.

Os encargos associados ao contrato serão distribuídos gradualmente e incorporados às tarifas. Além disso, como esses custos aparecem de forma indireta, o consumidor pode não perceber de imediato, embora o impacto exista no valor final pago.

Assim, ao manter uma fonte mais cara no sistema, a tendência é de elevação do custo médio da energia no país.

O que está em jogo no caso da usina de Candiota

A decisão evidencia um dilema central do setor elétrico brasileiro. De um lado, o governo busca preservar empregos e garantir estabilidade econômica regional. De outro, enfrenta o desafio de reduzir custos e avançar na transição energética.

Nesse cenário, a usina de Candiota, movida a carvão mineral, representa uma fonte mais cara e com maior impacto ambiental. Por isso, para o consumidor, o efeito é direto: mais encargos e potencial pressão na conta de luz ao longo dos próximos anos.

No fim, o caso mostra como decisões regulatórias de longo prazo influenciam o custo da energia no Brasil, mesmo quando o impacto não aparece imediatamente na fatura.

Para o consumidor, o ponto central é claro: a usina de Candiota continuará operando, mas o custo dessa decisão será diluído na conta de luz ao longo dos próximos anos.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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