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Como a expansão da marca de sorvetes Frosty avança ao norte e muda escala do negócio

A expansão da Frosty avança ao Norte com 60 novas lojas em 2026. Movimento indica mudança de escala, com logística própria, novos mercados e aumento de faturamento.
Fachada de loja da Frosty com logotipo verde e decoração de balões
Frosty projeta abrir 60 novas lojas em 2026 e expandir operação para a região Norte do país. (Foto: Reprodução)

A expansão da Frosty entra em uma nova fase em 2026, com a abertura prevista de 60 lojas e avanço para o Norte do país. O movimento envolve investimento de R$ 20 milhões e meta de elevar o faturamento em 30%, mas o ponto central vai além dos números: a empresa passa a operar em um novo patamar de escala.

A empresa triplicou de tamanho nos últimos anos. Em 2020, a Frosty operava com cerca de 40 lojas e pouco mais de 380 funcionários. Hoje, já ultrapassa 140 unidades e soma mais de mil colaboradores, o que ajuda a dimensionar o ritmo de expansão recente.

Com mais de 140 unidades ao fim de 2025, a rede já iniciou esse processo ao entrar em Belém, no Pará, com cinco lojas. A mudança indica que o crescimento deixou de ser apenas regional e passa a testar a capacidade da marca de se sustentar em novos mercados.

Na prática, o que está em jogo é a transição de uma operação concentrada no Nordeste para uma expansão geográfica mais ampla, com impacto direto sobre logística, custos e modelo de distribuição.

Expansão da Frosty avança para o Norte e testa novo território

No mercado de sorvetes, poucas redes regionais conseguiram avançar com esse ritmo de crescimento. Enquanto grandes marcas nacionais operam com presença consolidada, a Frosty cresce a partir de uma base regional e busca ampliar alcance sem perder eficiência operacional.

Esse movimento coloca a empresa em uma posição intermediária: ainda distante dos grandes players nacionais em escala, mas já acima da maioria das redes regionais em capilaridade e estrutura.

Até então, a expansão da Frosty esteve concentrada no Nordeste, onde a marca construiu liderança no segmento de sorvetes. A entrada no Norte altera esse eixo ao inserir a operação em uma nova fronteira de consumo.

Levar o modelo para regiões mais distantes exige mais do que replicar lojas. A empresa precisa garantir eficiência na cadeia de frio, regularidade no abastecimento e controle de distribuição em longas distâncias. Ao abrir unidades em bairros estratégicos de Belém, a Frosty começa a testar esses limites.

Esse avanço marca uma mudança relevante. A empresa deixa de crescer apenas onde já tem domínio operacional e passa a operar em ambientes onde precisa provar que sua estrutura consegue sustentar o ritmo de expansão.

Logística própria sustenta crescimento fora da base original

A capacidade de expandir para além do Nordeste depende diretamente da estrutura logística. A Frosty concentra sua produção em Maracanaú, no Ceará, em uma fábrica de 15 mil m², com plano de ampliação de mais 8 mil m².

A operação é complementada por centros de distribuição em diferentes estados, com câmaras frias e frota própria. Esse modelo garante maior controle sobre prazos, custos e qualidade na entrega.

Sem essa estrutura, a expansão para o Norte aumentaria o custo logístico e colocaria pressão direta sobre a rentabilidade das novas unidades da Frosty. Com operação própria, porém, a empresa reduz esse risco e viabiliza o crescimento.

Verticalização reduz custos e protege margem

Outro pilar da expansão da Frosty está na verticalização da produção. A empresa passou a fabricar internamente o chocolate utilizado nos produtos, com volume entre 40 e 50 toneladas mensais.

Esse movimento elimina etapas da cadeia e reduz custos recorrentes com insumos. A economia unitária ganha relevância quando aplicada ao volume total da operação, especialmente em um cenário de crescimento acelerado.

Quanto mais lojas a empresa abre, maior a necessidade de eficiência. Produzir internamente ajuda a proteger margens e sustentar o avanço sem depender exclusivamente de aumento de preços.

Supermercados aceleram entrada em novos mercados

A expansão da Frosty não acontece apenas por meio de lojas próprias. Atualmente, os supermercados concentram cerca de 60% do volume de vendas da marca.

Esse canal funciona como um atalho para novos mercados. Antes mesmo de abrir unidades físicas, a empresa consegue distribuir seus produtos e ganhar presença local, reduzindo o tempo necessário para consolidar a marca.

Ao combinar lojas próprias com pontos de terceiros, a Frosty amplia capilaridade e acelera a expansão sem depender exclusivamente da abertura de novas unidades.

Novos produtos elevam ticket e diversificam receita

Para 2026, a empresa prevê o lançamento de 39 novos produtos, incluindo linhas com apelo saudável, como itens com proteína e sem açúcar.

Embora representem uma fatia menor do volume vendido, esses produtos têm maior peso no faturamento. Isso indica uma estratégia de aumento de ticket médio, importante para sustentar o crescimento em novos mercados.

A diversificação do portfólio complementa a expansão geográfica. Ao entrar em novas regiões, a empresa não depende apenas de volume, mas também de produtos com maior valor agregado.

O que a expansão da Frosty revela sobre o próximo ciclo

A expansão da Frosty para o Norte mostra que a empresa entra em um novo estágio, em que crescer exige mais do que abrir lojas. É necessário ampliar território, controlar custos e operar com eficiência em diferentes regiões.

A abertura de 60 unidades em 2026 é o sinal mais visível desse movimento. Por trás dele, está a tentativa de transformar liderança regional em presença ampliada, com estrutura capaz de sustentar um negócio maior.

Se conseguir replicar sua operação fora do Nordeste com eficiência, a Frosty abre caminho para um ciclo de crescimento mais amplo e passa a disputar espaço em um mercado que ainda é dominado por grandes marcas nacionais.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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