A produção de combustíveis da Petrobras cresceu 6,4% no primeiro trimestre de 2026, atingindo 1,8 milhão de barris por dia e reduzindo em 26% a importação de diesel. O movimento reposiciona a estratégia da companhia em meio à instabilidade externa provocada pelo conflito entre EUA e Irã.
Nesta quinta-feira (30/04), a empresa confirmou que elevou o uso das refinarias para 95% e direcionou a operação para diesel e querosene de aviação. A decisão desloca a dependência do mercado internacional para dentro da própria operação.
Estratégia muda o eixo do abastecimento
O avanço da produção de combustíveis da Petrobras não é apenas crescimento operacional. Trata-se de uma escolha para reduzir a exposição ao diesel importado em um cenário de preços voláteis.
Ao ampliar o refino interno, a companhia passa a controlar melhor o ritmo de oferta e diminui a necessidade de compras externas. Ao mesmo tempo, aumentou em 20% a importação de petróleo, usado como insumo para produção local.
Esse redesenho altera a lógica da cadeia. Em vez de depender de derivados prontos, a empresa assume maior controle sobre o processamento, ainda que continue exposta ao custo global do petróleo.
Refinarias no limite elevam risco de operação
O ganho de escala na produção de combustíveis veio com maior pressão sobre os ativos da Petrobras. O fator de utilização das refinarias atingiu 95% no trimestre, com picos acima de 97% em março, o maior nível desde 2014.
Para sustentar esse patamar, foram suspensas paradas de manutenção. A medida maximiza a produção no curto prazo, mas reduz a margem de segurança operacional.
Com equipamentos operando próximos do limite, cresce o risco de falhas. Qualquer interrupção pode afetar a oferta de combustíveis e exigir recomposição rápida, com impacto potencial no abastecimento.
Produção de petróleo sustenta a estratégia de combustíveis da Petrobras
A produção de petróleo e a produção de gás atingiram 3,2 milhões de barris por dia, alta de 16%, garantindo base para o aumento do refino.
O crescimento veio de plataformas em campos como Búzios, Mero e Marlim, que ampliaram a oferta de matéria-prima. Esse volume sustenta o nível elevado de processamento e reduz a necessidade de importação de derivados.
Ainda assim, o custo segue atrelado ao preço internacional do petróleo, o que mantém a operação sensível a eventos externos.
O que muda em preços e frete com aumento na produção de combustíveis da Petrobras
O diesel segue como principal canal de transmissão para a economia. A redução da dependência externa cusada pelo aumento da produção da Petrobras, portanto, altera o ritmo de repasse de preços e tende a suavizar oscilações no curto prazo.
Para empresas expostas ao transporte, isso melhora a previsibilidade e reduz choques imediatos. No entanto, o sistema continua vulnerável.
Afinal, a combinação entre refinarias operando no limite e um cenário internacional instável mantém o risco de impacto rápido no custo do frete caso ocorram falhas operacionais ou novas altas no petróleo. O cenário pode até ser positivo, mas se será sustentável para os próximos trimestres, é algo que só o tempo dirá.



