Google aposta bilhões para ganhar espaço na corrida da IA

Google e Blackstone vão investir até US$ 25 bilhões em infraestrutura de IA para disputar data centers, chips e computação avançada.
Google e Blackstone aceleram corrida bilionária da IA global. (Imagem: Alex Dudar/Unsplash)

A Alphabet, controladora do Google, decidiu ampliar sua presença na corrida global pela infraestrutura de Inteligência Artificial (IA) ao fechar parceria bilionária com a Blackstone para criar uma empresa de computação em nuvem.

O projeto nasce com aporte inicial de US$ 5 bilhões da Blackstone e potencial de alcançar US$ 25 bilhões com alavancagem financeira. O movimento coloca Google e Blackstone diretamente na disputa global por IA, data centers, chips e poder computacional.

A nova fase da inteligência artificial deixou de depender apenas de softwares e modelos generativos. O setor entrou numa corrida industrial por energia, semicondutores e capacidade computacional em escala massiva.

Google acelera guerra global por data centers e chips de IA

A nova companhia terá como foco fornecer poder computacional para empresas e serviços de inteligência artificial, competindo diretamente com “neoclouds” como CoreWeave e Nebius.

Essas empresas ganharam força ao oferecer infraestrutura especializada para IA em meio à explosão global da demanda por processamento avançado.

O principal diferencial do Google será o uso dos próprios chips de IA da companhia, chamados tensor processing units (TPUs).

Os TPUs foram desenvolvidos para treinamento e operação de modelos de IA e representam uma tentativa do Google de reduzir a dependência da Nvidia, líder global no fornecimento de GPUs para inteligência artificial.

A disputa ganhou importância porque a Nvidia passou a concentrar enorme influência sobre a cadeia global da inteligência artificial. Empresas que dependem das GPUs da fabricante enfrentam pressão crescente por custos, oferta limitada e alta demanda.

A estratégia do Google inclui:

  • ampliar monetização dos TPUs
  • expandir capacidade própria de computação
  • competir com plataformas ligadas à Nvidia
  • acelerar oferta de nuvem para inteligência artificial

A meta da nova empresa é alcançar capacidade equivalente a 500 megawatts até 2027, volume próximo ao consumo elétrico de uma cidade de médio porte.

O veterano executivo Benjamin Treynor Sloss, do Google, assumirá como CEO da companhia.

Infraestrutura de IA vira centro da nova corrida tecnológica

O acordo reforça uma transformação importante dentro da indústria de inteligência artificial. A disputa deixou de acontecer apenas entre modelos de IA e passou a envolver infraestrutura física em escala global.

Empresas agora disputam:

  • data centers
  • energia elétrica
  • semicondutores
  • terrenos estratégicos
  • capacidade computacional

Os data centers se transformaram na base física da economia da inteligência artificial.

O crescimento acelerado das ferramentas generativas elevou a demanda mundial por infraestrutura capaz de sustentar treinamento e operação de modelos cada vez maiores.

Gigantes de tecnologia passaram a investir bilhões para garantir acesso contínuo a processamento avançado e energia suficiente para alimentar seus sistemas.

O Google aparece entre os principais beneficiados por esse avanço. A divisão de computação em nuvem da companhia vem acelerando receitas, enquanto produtos baseados em inteligência artificial ampliam adesão entre consumidores e empresas.

A pressão competitiva também elevou os investimentos globais em expansão de data centers e infraestrutura energética.

Blackstone amplia domínio global sobre data centers

A Blackstone aproveita o boom da inteligência artificial para consolidar posição entre os maiores investidores globais em infraestrutura digital.

A gestora administra mais de US$ 1,3 trilhão em ativos e vem ampliando agressivamente presença no setor de data centers.

Entre os movimentos recentes da companhia estão:

  • aquisição da operadora QTS em 2021
  • compra da australiana AirTrunk em 2024
  • criação da Blackstone Digital Infrastructure Trust
  • expansão global em propriedades voltadas à computação

Neste mês, a Blackstone também realizou a oferta pública inicial da Blackstone Digital Infrastructure Trust, veículo criado para aquisição de data centers já construídos e alugados.

O avanço mostra como fundos globais passaram a enxergar a infraestrutura de IA como um dos ativos mais estratégicos e valiosos da economia digital.

Com a nova parceria, Google e Blackstone tentam construir uma alternativa própria dentro do mercado dominado por plataformas ligadas à Nvidia e por empresas especializadas em computação para inteligência artificial.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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