XP aumenta lucro no 1º trimestre de 2026 e reforça força no mercado financeiro

A XP ampliou lucro, ativos e receitas no 1T26 mesmo com juros altos e volatilidade. Resultado reforça avanço do ecossistema financeiro e pressão competitiva sobre bancos.
Imagem da XP para ilustrar uma matéria jornalística sobre o Lucro da XP no 1T26
XP amplia lucro e ativos mesmo com juros altos no Brasil. (Imagem: divulgação/XP)

A XP Inc. (XPBR31) registrou lucro líquido ajustado de R$ 1,32 bilhão no primeiro trimestre de 2026 (1T26), alta anual de 7%, mesmo em um ambiente marcado por volatilidade nos mercados, juros elevados e maior disputa no setor financeiro.

O resultado reforçou a percepção de que plataformas financeiras com receitas diversificadas estão conseguindo atravessar melhor o ciclo de juros altos no Brasil. A XP também aprovou recompra de ações de R$ 1 bilhão e distribuição de R$ 500 milhões em dividendos.

A leitura do mercado vai além do lucro trimestral. O avanço dos ativos sob custódia, da captação líquida e do banco de atacado indica que a XP continua ampliando receitas mesmo com investidores mais cautelosos e renda variável ainda instável.

Lucro da XP cresce no 1T26 com avanço do varejo e diversificação das receitas

A receita líquida da XP atingiu R$ 4,73 bilhões no primeiro trimestre, crescimento de 8% em relação ao mesmo período de 2025. Já a receita bruta avançou para R$ 4,9 bilhões, também com alta anual de 8%.

Segundo a companhia, o desempenho foi sustentado principalmente pelo varejo financeiro, que ampliou a diversificação das receitas entre:

  • ações
  • renda fixa
  • fundos
  • previdência
  • cartões
  • crédito
  • seguros

A XP destacou melhora do segmento de renda variável após trimestres mais fracos. O movimento ajudou a impulsionar receitas justamente em um período de maior volatilidade nos mercados globais.

O varejo gerou R$ 3,77 bilhões em receitas no trimestre e manteve crescimento de participação dentro da operação total da companhia.

Juros altos aumentam disputa entre plataformas financeiras e bancos

O desempenho ganhou relevância porque ocorreu em um cenário ainda difícil para parte da indústria de investimentos no Brasil.

Os juros elevados seguem reduzindo o apetite ao risco, desacelerando operações de mercado e pressionando corretoras, bancos digitais e plataformas financeiras.

Mesmo assim, a XP conseguiu preservar fortes indicadores de rentabilidade. O retorno sobre patrimônio líquido (ROE) alcançou 21,7%, enquanto o índice de Basileia ficou em 20,7%.

Os números reforçam a percepção de eficiência operacional e forte capacidade de geração de caixa mesmo num ambiente econômico mais restritivo.

A companhia também ampliou investimentos estruturais sem interromper expansão operacional. As despesas operacionais cresceram 14% na comparação anual.

Segundo a XP, os investimentos seguem concentrados em:

  • força de vendas
  • inteligência artificial
  • digitalização
  • produtividade
  • tecnologia
  • experiência do cliente

O resultado também amplia a pressão competitiva sobre bancos tradicionais e plataformas menores. A corrida por patrimônio, investimentos e serviços financeiros ficou mais intensa após grandes plataformas ampliarem presença em crédito, seguros, cartões e alta renda.

Lucro da XP mostra ampliação ativos e fortalece ecossistema financeiro

Os ativos totais de clientes somaram R$ 2,14 trilhões, avanço de 21% na comparação anual. A companhia registrou captação líquida total de R$ 38 bilhões no varejo no trimestre. Desse total, cerca de R$ 18,7 bilhões vieram de captação recorrente.

Os ativos de clientes alcançaram R$ 1,5 trilhão, sustentados por:

  • R$ 85 bilhões de captação líquida
  • R$ 116 bilhões de valorização de mercado

Os clientes ativos totalizaram 4,8 milhões no trimestre, crescimento anual de 2%. O resultado reforçou uma transformação importante dentro da XP. A companhia deixou de depender apenas da corretagem tradicional e passou a ampliar receitas em múltiplas frentes financeiras.

O banco de atacado se consolidou como um dos principais vetores dessa expansão. A divisão registrou receita de R$ 1,15 bilhão, alta anual de 26%. A expansão do atacado ganhou peso porque reduz a dependência da companhia em relação à renda variável, segmento historicamente mais vulnerável às oscilações do mercado financeiro.

Dividendos e recompra reforçam estratégia da XP

A XP anunciou novas medidas de remuneração ao acionista após divulgar o balanço trimestral.

A companhia aprovou:

  • novo programa de recompra de ações de R$ 1 bilhão
  • distribuição de R$ 500 milhões em dividendos

O pagamento dos dividendos está previsto para junho.

O lucro da XP por ação diluído ajustado avançou 9% no trimestre, beneficiado justamente pela continuidade da recompra de ações no 1T26. A estratégia indica que a companhia segue tentando equilibrar crescimento operacional, investimentos de longo prazo e retorno ao acionista mesmo em um cenário de maior cautela nos mercados.

Segundo a XP, a prioridade permanece concentrada em eficiência, experiência do cliente e fortalecimento do ecossistema financeiro. No segmento de cartões, o volume total de pagamentos atingiu R$ 13,3 bilhões no trimestre. Já os prêmios emitidos na operação de seguros cresceram 16%, alcançando R$ 405 milhões.

O resultado reforça que o lucro da XP no 1T26 continua sustentado por uma operação mais diversificada, menos dependente apenas da renda variável e cada vez mais próxima do modelo de um conglomerado financeiro completo.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

Mais lidas

Últimas notícias